Minério leva IGP-M à maior alta em 22 meses

O minério de ferro foi o principal responsável pela alta do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), sobretudo do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) em maio, mas isso não sinaliza uma tendência inflacionária clara para os índices, avalia o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Marcílio Souza, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

"Toda alta concentrada num único item tem menos fôlego para perdurar", explicou o economista. "Para que haja uma preocupação inflacionária é preciso que os ganhos de preços sejam generalizados." O reajuste acordado entre siderúrgicas e mineradoras em abril impulsionou os preços do minério de ferro em 49,76% e os do item Matérias-Primas Brutas em 5,83% em maio.

Essa variação contribui para que o IPA variasse 1,49% neste mês, mais do que a alta de 0,49% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a de 0,93% do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

No geral, o IGP-M, que reajusta os aluguéis, entre outros contratos, subiu 1,19% em maio ante abril, acelerando-se em relação à variação positiva de 0,77% registrada em abril na comparação com março. Em 12 meses, a inflação acumula alta de 4,18%. No ano, o IGP-M avançou 4,79%. A taxa mensal atingiu o maior patamar desde julho de 2008.

Quadros explicou que, mesmo que haja um repasse da alta do minério ao longo da cadeia, esse movimento teria origem em um único item e seu efeito seria diluído. De maneira geral, acredita, o IGP deverá continuar exibindo seu recente comportamento oscilante, que por sua vez reflete as características da economia atual, em que o forte desempenho doméstico contrasta com incertezas internacionais, sobretudo na Europa.

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