DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO - 01/6/2011
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Minério de ferro perde participação na balança

Entre 2011 e 2015, a fatia da commodity na pauta de exportação recuou de 16,3% para 7,3%

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 21h39

A derrocada do preço do minério de ferro fez com que a commodity perdesse participação na balança comercial do País. De 2011 para 2015, a fatia do produto na exportação brasileira diminuiu de 16,3% para 7,3% e atingiu o patamar mais baixo desde 2007.

A queda da receita obtida com a exportação do minério também é expressiva no período. Nos quatro anos, o recuo apurado foi de US$ 38,1 bilhões para US$ 12,8 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

O preço do minério de ferro cai desde 2011, mas a queda se acentuou recentemente por dois grandes motivos. O primeiro é o aumento da oferta em relação à demanda – houve um aumento da produção sobretudo das empresas que estão na Austrália. O segundo é fraqueza no crescimento da China, grande importadora do minério de ferro. O Produto Interno Bruto (PIB) da economia chinesa deverá crescer entre 6,5% e 7,0% neste ano, o que é pouco para um país cuja taxa de crescimento chegou a superar 10%.

“A oferta de minério está muito superior à demanda”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). “Esse descompasso tem provocado um desequilíbrio dos preços”, diz. Na projeção da AEB, a exportação de minério de ferro deverá somar US$ 13,8 bilhões este ano.

Ex-líder. Até o ano passado, o minério de ferro era o principal item de exportação da pauta brasileira, mas, com a queda no preço, passou para o segundo lugar. Atualmente, a soja é o principal produto exportado pelo Brasil. “Neste ano, a expectativa é de que a exportação de soja em grão chegue a quase US$ 21 bilhões”, afirma Castro.

A queda do preço do minério trouxe um impacto para a balança comercial brasileira e contribuiu para que a exportação de produtos básico recuasse 19,8% entre janeiro e novembro. “Essa queda é ruim porque os superávits da balança comercial são proporcionados pelas commodities”, diz Castro.

O novo patamar da cotação da commodity também afeta o rumo dos negócios das mineradoras. Com a queda do preço do produto, os projetos acabam se tornando inviáveis financeiramente. “As empresas de mineração acabam revisando o tamanho do investimento. Com a queda do preço, a rentabilidade diminui bastante”, afirma o presidente da AEB.

Em queda. O preço do minério de ferro deverá continuar recuando no próximo ano. Para a AEB, a cotação da tonelada deverá ficar em US$ 35 – neste ano, deverá encerrar em US$ 39 a tonelada. “Tudo indica que haverá uma queda de preço no ano que vem, embora não tão intensa como a deste ano”, diz Castro.

Na avaliação dele, também não deverá ocorrer um aumento na quantidade exportada de minério de ferro. O acidente com a mineradora Samarco, em Minas, por exemplo, deve prejudicar o montante vendido pelo País. “Pode até ter queda na quantidade exportada em 2016”, afirma.

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