Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Minério pode ir a US$ 180 com menor produção

Divulgação de estimativas de produção decepcionantes pela Vale tornou remoto o cenário de equilíbrio entre oferta e demanda

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2021 | 05h00

RIO - O minério de ferro, que passou 2020 todo em alta, acelerou o ritmo em dezembro e bateu a casa dos US$ 160 por tonelada no fim do ano. A divulgação de estimativas de produção decepcionantes pela Vale tornou remoto o cenário de equilíbrio entre oferta e demanda e agiu como catalisador da curva de alta, que vinha sendo sustentada pela forte demanda da China no pós-pandemia. 

A mineradora brasileira divulgou, no início de dezembro, que espera entregar neste ano entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas. Em 2019, a empresa havia anunciado uma projeção diferente: de 375 milhões a 395 milhões de toneladas para 2021.

Em relatório, a consultoria australiana Macquarie afirmou que, com a redução das projeções da Vale, ficou difícil enxergar como o mercado pode atingir o equilíbrio – até porque, com a chegada da vacina contra a covid, a tendência é de retomada da produção de aço em países da Europa e no Japão, aquecendo a demanda.

A Macquarie calcula uma falta de 50 milhões de toneladas de minério em 2021 e diz que as opções de oferta adicional – como maior exportação pela Índia e a reativação de mineradoras chinesas de alto custo – não estão à mão de imediato. A conclusão é que um aumento adicional nos preços é uma possibilidade real. 

Projeções

Apesar do aumento nos preços do minério de ferro em 2020, analistas esperavam um freio para este ano, com a entrada de novas capacidades no mercado e menor consumo. Depois que a Vale anunciou uma redução na estimativa de produção, porém, o fim do rali da commodity saiu do horizonte de economistas, que revisaram seus cálculos.

Em dezembro, o Safra elevou sua projeção média de preços em 2021, de US$ 75 por tonelada para US$ 100. O Itaú BBA alterou de US$ 100 por tonelada para US$ 110. Já o BTG Pactual indagou, em relatório sobre a Vale, se a próxima parada do preço será na marca dos US$ 180 por tonelada.

O Credit Suisse afirmou a clientes, também em dezembro, que a queda nos embarques brasileiros, a projeção de produção da Vale e a demanda aquecida das siderúrgicas chinesas tornam factível que o preço se mantenha no patamar de US$ 150 por tonelada. O Goldman Sachs passou a ver este mesmo nível como justo para a média dos próximos seis meses e projeta preço médio por tonelada em US$ 120 para este ano, uma elevação substancial frente à estimativa feita em setembro, de US$ 90 por tonelada.

“É difícil falar de limite. O mercado deve continuar com oferta-demanda justa nos próximos meses”, diz Daniel Sasson, do Itaú BBA. / COLABOROU FELIPE LAURANCE

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