'Minha estratégia é ocupar espaço para espantar estrangeiros'

Roberto Garcia, da Kalunga, pretendeabrir 20 novas lojas em2015, em linha com a expansão deste ano

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2014 | 02h01

Pôr o pé no freio não está nos planos de Roberto Garcia, sócio da varejista de materiais de escritório Kalunga. Navegando sozinha em seu segmento, a empresa vai ocupar espaços para deixar o mercado brasileiro cada vez menos interessante para as grandes redes estrangeiras, como Staples e Office Depot, que ainda não têm lojas físicas no País.

Como foi 2014 para a Kalunga?

Para nós foi bom, cumprimos o planejado. O nosso negócio está ligado a postos de trabalho. Quando a taxa de desemprego está baixa, o consumo de material de escritório aumenta. Fechamos o ano com 134 lojas; foram 20 lojas novas este ano. E o faturamento subiu 18%, para quase R$ 1,8 bilhão. Para 2015, projetamos 20 novas lojas. Como hoje estamos presentes em shoppings, estamos comprometidos com essa expansão faz tempo. Não dá nem para desacelerar. Em 2015, a gente espera um crescimento um pouco menor, de 15%. Vamos chegar a R$ 2 bilhões em receita.

Qual é o maior vetor de crescimento para a rede?

Hoje é o Rio de Janeiro, tanto a capital quanto o interior. Em geral, nossas lojas chegam ao equilíbrio financeiro em dois anos. No Rio, tivemos casos em que isso ocorreu em dois meses. Estamos abrindo mais lojas em shoppings do que em rua, por causa da dificuldade de estacionamento. É uma tendência para a gente.

O e-commerce está ficando mais importante para a Kalunga?

Sim, já representa 15% do faturamento, incluindo também o televendas. A estrutura do e-commerce é separada e tem um centro de distribuição em São Paulo. Nosso site tem características diferentes. Pensamos na pessoa jurídica, para que a empresa possa gerenciar várias contas de funcionários.

A Kalunga é única no segmento. A estratégia é ocupar espaço para impedir a vinda de redes estrangeiras?

Sim, essa é a nossa estratégia. Ocupar espaço, principalmente em São Paulo, Rio e Minas Gerais, para que fique desinteressante para as redes estrangeiras virem para cá.

A rede ainda é muito concentrada em São Paulo?

São 83 lojas aqui, mas temos crescido muito no Rio, onde já temos 23. As lojas no Nordeste e em outros Estados, como em Santa Catarina, a gente fez mais por oportunidade, por relação com shopping centers. O nosso principal foco agora é seguir com a expansão no Rio.

Para 2015, a ordem é cortar custos para ganhar eficiência?

Esse é sempre um direcionamento. As ações que a gente toma para cortar custos dão muito certo. Nossas lojas têm temporizador nas torneiras e sensor de presença em ambientes internos. Nós remuneramos os gerentes pela produtividade da loja. Além disso, diminuímos o tamanho das lojas para ganhar eficiência. Chegamos a ter lojas de 4 mil metros; hoje, operamos com os mesmos itens em 480 metros. / F.S.

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