Minha missão em meio à crise é elevar moral do País, diz Lula

Presidente pede mais ações dos EUA e diz que 'querido companheiro Obama está com um pepinaço na mão'

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

05 de fevereiro de 2009 | 15h01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 5, que tem por missão elevar o "moral da tropa" nesta época de crise financeira. Em discurso durante inauguração de uma usina hidrelétrica no Rio Tocantins, financiada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula lembrou que, nos anos de sindicalismo, nas décadas de 70 e 80, atuava para que os trabalhadores não desanimassem. "Meu papel é o de levantar o moral da tropa", disse Lula a uma plateia formada por empresários e funcionários da GDF Suez, a construtora da usina.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   Ele defendeu a adoção de medidas urgentes, por parte do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e dos governos europeus, para o combate a crise financeira internacional. Lulae observou, no entanto, que é difícil resolver o problema. "Ser presidente dos Estados Unidos é bom, mas o nosso querido companheiro Obama está com um pepinaço na mão", disse. "Eu rezo para ele mais do que rezo para mim mesmo."   O presidente comparou o momento atual a um período de guerra. "Nós precisamos compreender que em tempo de guerra a gente trabalha mais e precisa ter mais ousadia", disse.   No discurso, ele avaliou que ainda não é possível definir a dimensão e a duração da crise financeira, mas voltou a dizer que o Brasil é o país com melhores condições de sofrer menos os efeitos da crise. O presidente disse que o Brasil é beneficiado pela estabilidade econômica e pela definição de marcos regulatórios em diversos setores produtivos.   Num momento de recorde de popularidade, Lula avaliou que os brasileiros têm consciência de que a crise financeira, que já causou desemprego no País, especialmente em dezembro, foi provocada por especuladores do exterior. "Todo mundo sabe, qualquer cidadão, que essa crise é mundial e nasceu nos Estados Unidos, está ligada ao setor habitacional dos Estados Unidos e a especuladores", disse.   Obras   Lula garantiu que o governo não vai deixar faltar recursos para financiar obras no País. Ele voltou a fazer um apelo para que os empresários mantenham os investimentos. "Façam seus investimentos porque dinheiro nós temos para financiar", afirmou. Lula também pediu que os consumidores não deixem de comprar. "Troquem suas meias, seus sapatos e seu carro."   Além disso, o presidente criticou as taxas elevadas dos serviços bancários. "O spread tem de se adequar à nova realidade", avaliou. Lula comparou o momento atual ao período do governo do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. "Hoje, só o Banco do Brasil tem disponível para crédito a mesma quantia que o Brasil todo tinha em 2002", afirmou. "Não há nenhuma razão para termos medo dessa crise", completou.   Contratos de trabalho    Lula afirmou também que orientou os seus ministros a priorizarem contratos de dois ou três turnos de trabalho para a realização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Para ele, a medida aumentará a oferta de emprego, especialmente para a mão-de-obra menos qualificada. "Neste começo de ano, que acho que será o período mais delicado, tenho pedido a meus ministros, a governadores e prefeitos, que nos contratos das obras de infraestrutura, contratem com dois ou três turnos", disse em entrevista.   Ele propôs que as empresas definam turnos de 6 horas às 14 horas e de 14 horas às 22 horas. "O que precisamos é aumentar a oferta de emprego", completou. "Se fizermos isso, vamos ter um patamar diferente."

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