Miniantenas são aposta para melhorar sinal de celular

Governo promete facilitar a instalação de equipamento, de olho na demanda prevista para a Copa das Confederações

ANNE WARTH / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2012 | 00h57

A cena é comum: ao entrar em uma garagem subterrânea ou elevador, é praticamente impossível manter uma conversa ao celular sem que a ligação perca qualidade ou simplesmente caia. Isso também acontece quando a chamada é feita em locais de grandes aglomerações, como estádios de futebol, aeroportos ou shopping centers.

Para tentar minimizar essas questões, o governo decidiu apressar as discussões sobre o uso de miniantenas - ou femtocélulas, como são chamadas. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou ontem a abertura de consulta pública sobre o regulamento para o equipamento.

Muito semelhantes a um roteador wi-fi, elas funcionam como uma extensão das clássicas antenas de celular, mas se conectam ao serviço de banda larga fixa. Ao contrário dos roteadores, que podem ser adquiridos pelo próprio usuário, essas antenas pertencerão às operadoras.

A intenção é aprovar o regulamento nas primeiras semanas de janeiro, para que as operadoras possam começar a instalar esses aparelhos já em fevereiro. O conselheiro relator da proposta na Anatel, Jarbas Valente, acredita que a competição entre as operadoras fará com que elas não cobrem nem pelo serviço nem pelo equipamento - com custo estimado de US$ 200.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirma que as femtocélulas vão diminuir a demanda e desafogar as antenas maiores. "Na conjuntura de hoje, com redes congestionadas e muitos usuários, vai ser muito bom", afirmou.

Quarta geração. A importância da femtocélula será fundamental para a tecnologia 4G, avalia o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy. Como a frequência do 4G no País será mais alta (2,5 giga-hertz), ao se propagar, as ondas atingem distâncias menores e enfrentam mais dificuldades para vencer barreiras físicas. Assim, mais antenas e femtocélulas serão essenciais para manter a cobertura do serviço.

"Não tenho a menor dúvida de que vai haver melhoria da cobertura em áreas fechadas", afirmou Levy. "No futuro, poderemos ter edifícios construídos já com femtocélulas. Vai fazer parte da rotina de todos."

Nas casas, os clientes poderão colocar uma senha para cadastrar dispositivos, de forma a evitar que o sinal do aparelho seja "roubado" por vizinhos. Em locais públicos, o sinal será aberto. Uma das preocupações do governo é a Copa das Confederações, que deve aumentar a demanda pelo serviço nas cidades-sede.

O relatório de Valente enquadra a femtocélula como um equipamento de radiação restrita. Assim, elas não terão de ser licenciadas e não vão pagar, como as grandes antenas, Taxa de Fiscalização de Instalação (TFI) e Taxa de Fiscalização de Funcionamento (TFF). "O objetivo é desburocratizar", afirmou o conselheiro. "A tendência é melhorar muito a qualidade do serviço em locais distantes e fechados." Todas as grandes fabricantes já possuem o aparelho.

No gabinete de Bernardo, uma femtocélula da Oi já está em teste. Mas a operadora ainda não definiu como oferecer o serviço ao consumidor. Nas experiências no exterior, o cliente pode pagar pelo aparelho, a operadora pode fornecê-lo e cobrar fidelidade ou oferecê-lo sem custo como parte da extensão do serviço. / COLABOROU EDUARDO RODRIGUES

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