coluna

Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

'Minicarros' nacionais querem brigar em mercado dominado por importados

Pequenos. Os subcompactos nacionais, menores que modelos como Gol e Palio, prometem esquentar a disputa na categoria 'veículo urbano'; a Renault se prepara para competir no segmento, formado por importados de luxo, como Fiat 500, Smart e Mini

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h07

A briga dos carros subcompactos nacionais, modelos menores que os de pequeno porte à venda hoje como Gol e Palio, promete esquentar no País. Modernos, ágeis e econômicos, esses carrinhos vão popularizar um segmento que começou a ganhar espaço no Brasil, o do chamado veículo urbano. A francesa Renault acaba de anunciar que também se prepara para entrar na disputa.

O primeiro a chegar ao mercado será o Volkswagen up!, no segundo semestre. Em 2014, a Fiat lançará um subcompacto que está sendo desenvolvido em Betim (MG) e, no ano seguinte, a Ford terá o substituto do Ka. A General Motors estuda um modelo para esse segmento, que hoje teria preço na faixa R$ 25 mil.

Por enquanto, essa categoria é composta pelos importados de luxo Fiat 500, Smart (marca da Mercedes-Benz) e Mini (que pertence à BMW). Entre os fabricados localmente, Fiat Uno e Ford Ka entram na lista, mas, ao menos o segundo deles é defasado em relação aos concorrentes.

Automóveis desse segmento são considerados ideais para rodar nas grandes cidades, pela agilidade, facilidade no estacionamento e baixo consumo. "Vai ser difícil ser um grande player no Brasil sem estar nesse segmento", diz o presidente da Renault do Brasil, Olivier Murguet. Ele afirma, contudo, que o produto da marca nesse nicho não chegará agora. "Nossa resposta no curto prazo é o Clio que, em preço, já atua no segmento". O modelo custa a partir de R$ 24,1 mil.

O carro urbano está na lista de novos veículos que a Renault terá no Brasil seguindo a estratégia de ampliar sua fatia no mercado para 8% em três anos. Em 2012, a marca fechou com 6,6% de participação. Nos primeiros três meses deste ano está com 5,7%.

Com a recém-inaugurada ampliação da fábrica em São José dos Pinhas (PR), a Renault ampliou sua capacidade produtiva de 280 mil para 380 mil veículos ao ano, projeto que consumiu R$ 500 milhões de um programa de R$ 1,5 bilhão previsto entre 2010 e 2015. Sem problemas de espaço, a meta agora é renovar e ampliar a gama de produtos. "Vamos entrar em segmentos onde não estamos", diz Murguet, sem dar detalhes.

Segundo o executivo, a fábrica local, inaugurada há 15 anos, produziu em 2012 cerca de 42 veículos por hora. Desde março, após a reforma que deixou a linha parada por dois meses, o número subiu para 50. No fim do ano, deve chegar a 60 unidades por hora, já com um novo produto. Murguet não confirma, mas fontes do mercado apostam na nova versão do Logan, com frente totalmente reestilizada.

No comando da filial brasileira há um ano, Murguet afirma que sua missão é levar a marca, hoje quinta mais vendida no País, a abocanhar fatia de 8% nas vendas até 2016. No ano passado a Renault registrou venda recorde de 241 mil veículos - incluindo os importados da Argentina. Em relação a 2011, cresceu 24%. O negócio total de automóveis e comerciais leves cresceu 6%.

Segundo maior mercado para o grupo Renault, atrás da França, o Brasil proporcionou à empresa lucro de R$ 440,2 milhões no ano passado, o dobro do obtido em 2011, de R$ 214,8 milhões. "Perdemos muito dinheiro no País no passado, mas aprendemos", afirma Murguet. "Agora temos uma fábrica mais potente, rede maior de revendas e produtos mais adaptados ao mercado".

Prêmio. Reconhecido pelos bons resultados, Murguet recebeu na França na segunda-feira o "Prêmio Executivo 2013", entregue pelo principal executivo mundial da empresa, o franco-brasileiro Carlos Ghosn.

"O reconhecimento pode nos ajudar a conseguir mais investimentos para a região", diz Murguet. Segundo ele, embora a matriz francesa reconheça a força do mercado brasileiro, está cada vez mais difícil aprovar projetos em razão do alto custo do Brasil e da baixa competitividade na produção e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Outros mercados emergentes, como China, Índia e Rússia, são prioritários. "Na hora de competir, é sempre um sufoco".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.