Mínimo deveria ser de R$ 1.536,96, aponta Dieese

Levantamento divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ser de R$ 1.536,96, no mês passado, para suprir suas necessidades básicas e da família. A constatação foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de abril, realizada em 16 capitais do País pela instituição.Com base no maior valor apurado para a cesta, de R$ 182,95, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ser 4,39 vezes maior que o piso vigente, de R$ 350, que começou a vigorar em 1º de abril.Em março, quando o mínimo equivalia a R$ 300, o salário mínimo necessário ficava em R$ 1.489,33, mas correspondia a 4,96 vezes o valor. Há um ano, quando o menor salário pago no País encontrava-se em R$ 260,00, a quantia necessária totalizava um valor muito próximo do calculado para abril de 2006: R$ 1.538,64.Elevação O Dieese destacou que a elevação do salário mínimo, a partir de 1º de abril deste ano, resultou em forte redução no tempo de trabalho necessário para a aquisição da cesta básica, pela primeira inferior a 100 horas. Assim, a jornada de trabalho necessária para a aquisição da cesta básica, na média das 16 capitais pesquisadas, ficou, em abril, em 98 horas e 48 minutos. Em março, a mesma compra comprometia 110 horas e 55 minutos e em abril de 2005 exigia 132 horas e 21 minutos.Quando se considera o salário mínimo líquido - após o desconto da parcela referente à Previdência Social - verificou-se também, pela primeira vez, que o trabalhador que ganha salário mínimo, na média das 16 capitais, comprometeu, com alimentação, menos da metade de seus rendimentos (48,63%). Em março a parcela necessária corresponda a 54,59% do salário mínimo líquido e, há um ano, ficava em 65,14%. São PauloDe acordo com o Dieese, foi o terceiro mês consecutivo em que a capital paulista ficou na liderança das cidades onde a cesta é vendida ao maior preço. No fechamento de abril, o custo médio da cesta, R$ 182,95, teve alta de 3,20% ante o valor verificado no mês anterior. O levantamento mostrou que, em mais quatro cidades, o custo do conjunto de produtos alimentícios essenciais superou, em abril, o valor de R$ 170: Rio de Janeiro, com R$ 175,64; Curitiba, com R$ 172,24; Porto Alegre, com R$ 171,86; e Belo Horizonte, com R$ 170,22. Em março, apenas São Paulo, com R$ 177,28, e Brasília, com R$ 173,29, ficaram com o preço da cesta no mesmo nível. A exemplo do que ocorreu no mês anterior, o menor custo da cesta foi apurado em Fortaleza, com R$ 126,99; com um valor bem inferior ao de Salvador, de R$ 139,82; que teve o segundo menor preço em abril.

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