Ministério admite ter virado balcão de negócios

Ao escolher os setores automotivo, de material de construção civil e de linha branca como beneficiários da redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o governo federal optou por transformar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em um ?balcão de negócios?. ?O ministério virou, sim, um balcão de negócios. O que negociamos é o emprego. Tenho orgulho de dizer isso?, disse o ministro Miguel Jorge. Durante os anos 90, essa qualificação torturava o ministério, que tentava se dissociar da imagem de agência de socorro da indústria quebrada e sem competitividade.

AE, Agencia Estado

02 de maio de 2009 | 08h04

Diante dos efeitos da crise, o ministro defende que medidas fiscais lineares não teriam os efeitos esperados e que vale mais a concessão de benefícios pontuais a setores envolvidos em longas cadeias de produção para preservar empregos. ?O ministério virou, sim, um balcão de negócios. O que negociamos é o emprego. Tenho orgulho de dizer isso?, disse Jorge.

Desde dezembro, o governo federal reduziu, e em alguns caos zerou, as alíquotas do IPI de automóveis e caminhões, de material de construção e de produtos da linha branca. Também reduziu de 3,65% para 0,65% a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de motocicletas. Juntas, essas iniciativas correspondem a uma renúncia fiscal de R$ 3,137 bilhões e a 0,65% da arrecadação prevista no Orçamento da União deste ano. Mas ficam restritas a um tributo cuja arrecadação é compartilhada com os Estados, os municípios e os fundos regionais.

Os beneficiados até agora, segundo Miguel Jorge, respondem por um amplo número de empregados, contam com uma capilaridade intensa em outros setores da produção, do comércio e dos serviços. Conforme ressaltou, não havia argumentos plausíveis para a concessão de benefícios para setores em expansão, como o de alimentos. Em contrapartida, todos os favorecidos assumiram um compromisso verbal de não demitir enquanto o benefício fiscal estiver em vigência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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