Ministério chinês aponta problemas e perspectivas para economia

O ministério do Comércio da China revelou ontem os cinco principais problemas relativos ao mercado consumidor chinês. Segundo a Agência Xinhua, a desproporcional progressão do consumo em relação aos investimentos, a ampliação da distância entre o consumo dos habitantes urbanos e rurais, a escassez na oferta de energia elétrica e de serviços de transporte, a baixa qualidade de muitos produtos e a pressão exercida pela inflação lideram a lista de problemas.O informe do ministério diz que durante o primeiro trimestre deste ano, o volume total de vendas no varejo registrou um crescimento anualizado de 10,7%, enquanto os investimentos em ativos fixos cresceram 43%, provocando a queda na oferta da energia elétrica e das matérias-primas e uma superoferta de mercadorias.Segundo o mesmo informe, as vendas no varejo alcançaram US$ 52,4 bilhões entre os camponeses e US$ 103,8 bilhões entre a população urbana, representando respectivamente 23,6% e 76,4% dos US$ 156, 2 bilhões movimentados neste período.As estimativas anteriormente divulgadas pelo ministério do Comércio, no entanto, apontavam um crescimento de 9% no volume de vendas no varejo neste ano em relação a 2003, com uma previsão de movimentação de US$ 604 bilhões.Com isso, a participação do varejo no Produto Interno Bruto do País (PIB) subiria 0,4%, alcançando 39,7%.Escassez de energiaO informe chama atenção para a escassez de eletricidade, serviços de transporte e matérias-primas. Cerca de 11 províncias estão sendo afetadas pelos constantes cortes de abastecimento de energia em todo o País.Um dos cinturões de crescimento mais afetados pelo racionamento é justamente o Delta do Yangtzê, uma área econômica composta por 15 grandes cidades, incluindo-se Shanghai, Nanjing e Suzhou. A região movimentou cerca de US$ 83 bilhões no comércio exterior durante o primeiro quadrimestre deste ano. Suas exportações somaram USS 40 bilhões, enquanto suas importações chegaram a US$ 43 bilhões.O abastecimento de energia no Nordeste da China também é preocupante. Porém, a cidade de Heihe, um dos principais pólos da indústria de base chinesa da Província do Heilongjiang, finalizou ontem as negociações para a importação da energia elétrica da Rússia.Os técnicos do ministério ouvidos pela Xinhua também disseram que uma recente pesquisa ? elaborada pela Administração Estatal de Fiscalização, Qualidade e Quarenta da China - constatou que entre 70% e 80% dos produtos vendidos no varejo alcançam os padrões de qualidade nacional estipulados pelo governo.Previsões de crescimentoO informe, porém, não desqualificou as previsões - divulgadas no último domingo pelo próprio ministério - de que o PIB chinês deva crescer acima de 9% neste trimestre.Por outro lado, o Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, em sua sigla em inglês) também revelou nesta semana alguns prognósticos sobre a expansão econômica do dragão asiático. Segundo o ADB, o PIB chinês deverá crescer cerca de 8,2% em 2004 e 9,2% em 2005.O ADB afirmou que a China está tomando as providencias necessárias para desacelerar a economia e que é provável que o nível de investimentos caía pela metade para se obter uma taxa de crescimento de 16% no biênio 2004 e 2005.Para o ADB, a elevação dos preços no mercado imobiliário e a redução nos financiamentos bancários ?criaram um bom ambiente? para reduzir os investimentos na construção civil. O Banco também afirmou que a China regulamentará os investimentos nas indústrias automobilísticas, siderúrgicas, alumínios e de cimento.Por outro lado, os investimentos estrangeiros diretos na China devem ter um crescimento moderado e o controle efetivo do rápido aumento do crédito bancário e a eliminação gradual da política fiscal em expansão também contribuirão para reduzir o nível dos investimentos.Demanda aquecidaO ADB também acredita que a forte demanda interna por petróleo, laminados de aço, cereais e matérias-primas será o principal motor do crescimento do País. Os estudos apontam que o ritmo das importações chinesas ? ainda que um pouco menor do que no ano passado - aumentará entre 16% e 20% em relação a 2003 e que superará o aumento das exportações chinesas em 2004 e 2005, reduzindo o superávit comercial chinês.As previsões do ADB também corroboram com alguns dados divulgados pelo ministério do Comércio da China. Para o Banco, o consumo chinês aumentará cerca de 9% neste ano e que o Índice Geral de Preços ao Consumidor registre uma alta entre 2,7% e 3% durante um período considerável.

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