Ministério confirma três novos focos de aftosa em MS

O Ministério da Agricultura confirmou nesta segunda-feira a existência de mais três focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Um deles foi encontrado novamente em Eldorado, na fazenda Jangada, com rebanho de 3.548 animais. Outros dois focos foram registrados nas fazendas Santo Antônio e Guaíra, ambas no município de Japorã. São fazendas de pequeno porte. Pela manhã, em seu programa de rádio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia afirmado que mostraria aos russos que o Brasil tem apenas um foco, já debelado.Na fazenda Jangada, apenas nove animais apresentaram sintomas da doença. No entanto, informou o Ministério da Agricultura, 320 cabeças já foram abatidas. O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Gabriel Alves Maciel, explicou que o governo determinou o abate antes da conclusão dos exames clínicos porque as fazendas Jangada e Vezozzo (onde foi achado o foco na semana passada) são vizinhas. "Como os sintomas clínicos eram muito parecidos e as fazendas são vizinhas, achamos melhor iniciar os abates para impedir a propagação do foco", afirmou o secretário. Paraguai - O município de Japorã fica a apenas quatro quilômetros da fronteira com o Paraguai, o que, segundo o secretário, reforça a tese de necessidade de controle da doença nas países que fazem fronteira com o Brasil. Ambos os países terão que adotar medidas sanitárias conjuntas para conter a doença. Hoje, não há fiscalização na fronteira e os animais circulam livremente.Uma fonte do governo contou que o Paraguai não permitiu a entrada de veterinários brasileiros em seu território para inspecionar a sanidade do rebanho. O pedido para ingresso foi feito na semana passada, depois de confirmado o primeiro foco. O Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) deverá intermediar as ações nos dois países. Mapa - Em Mato Grosso do Sul, a região isolada será ampliada também para os municípios de Sete Quedas e Tacuru, que ficam a 25 quilômetros a partir do foco de Japorã. Depois da descoberto do primeiro foco, em Eldorado, ficaram interditados os municípios de Japorã, Itaquaraí, Mundo Novo e Iguatemi, além de Eldorado. "Se afeta a economia nacional do Paraguai, o problema passa a ser também deles", ressaltou o secretário.O secretário disse que desde o dia 1º de outubro, quando surgiu a suspeita do foco na Fazenda Vezozzo, técnicos do Ministério e do governo estadual vistoriaram 172 propriedades da região. Todo o esforço do governo na região é no sentido de evitar a propagação do vírus.Ele considerou normal o aparecimento desses novos focos dentro da área isolada. "Se saíssem dos municípios da zona tampão, a doença estaria fora de controle. Foi bom ter encontrado esses focos na região", comentou. Rússia - Ele informou que a confirmação dos novos focos não terá impacto maior no comércio exterior. "No caso da Rússia, fomos claros sobre o foco de Eldorado e informamos a eles que havia outras suspeitas", disse Maciel. O governo de Moscou aceitou flexibilizar as regras sanitárias, disse o secretário.Atualmente, o embargo russo está sendo aplicado somente sobre a carne oriunda do Mato Grosso do Sul. Mas um acordo Brasil-Rússia prevê a suspensão do comércio de carnes também dos Estados vizinhos àquele onde surgiu o foco. "Os russos precisam da nossa carne", comentou o secretário. "Além disso, a disseminação da gripe aviário em vários países vai limitar a oferta mundial."

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