Adriano Machado/Reuters - 8/11/2018
Adriano Machado/Reuters - 8/11/2018

Ministério da Agricultura terá Secretaria de Assuntos Fundiários, diz futura ministra

Afirmação de Tereza Cristina contraria informação de Nabhan Garcia de que secretaria teria status de ministério; após declaração da futura ministra, o pecuarista confirmou que a secretaria será subordinada à pasta

Lorenna Rodrigues e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2018 | 15h33
Atualizado 22 de novembro de 2018 | 20h47

BRASÍLIA - A futura ministra da Agricultura, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), afirmou nesta quinta-feira, 22, que haverá uma Secretaria de Assuntos Fundiários, subordinada ao Ministério da Agricultura. A ministra falou rapidamente com a imprensa ao deixar o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), centro da transição de governo.

A declaração da deputada é diferente da dada na quarta-feira pelo pecuarista Nabhan Garcia à Coluna do Estadão. Ele disse que será nomeado para a Secretaria Especial de Assuntos Fundiários e que a estrutura teria status de ministério e trabalharia em consonância com a Presidência da República e o Ministério da Agricultura, que será chefiado pela deputada.

Depois da declaração da deputada, Nabhan Garcia confirmou que secretaria que chefiará ficará dentro da estrutura do Ministério da Agricultura. Por ter uma relação pessoal com o presidente eleito Jair Bolsonaro, Nabhan Garcia deverá servir também de elo entre o Planalto e o setor. O líder ruralista afirmou que o governo analisará os cadastros de assentados do Incra, órgão que deverá ficar também na estrutura da pasta da Agricultura, e levantar o número de acampados para acabar com as "favelas rurais".

Desde 2009, quando o governo federal assentou 70 mil famílias, o número de beneficiários pela política do Incra tem sido considerado ínfimo pelas entidades do campo. No ano passado, 26 mil famílias foram assentadas. Pelos cálculos atuais do Incra, cerca de 600 mil famílias aguardam um título de terra.

Adversário histórico do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, Nabhan disse que o novo governo está "aberto" ao diálogo com todas as entidades do campo, mas voltou a reiterar que não haverá conversa nos casos de "invasão" de propriedades. "Todas as manifestações e reivindicações são legítimas e fazem parte da democracia" ressaltou. "Mas o governo não dialogará com invasor", afirma. "Para invasões, a lei deve ser aplicada e a Justiça deve ser ouvida", completou. "Nada se resolve no grito e na pressão psicológica. Não há necessidade disso."

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