Gabriela Biló/Estadão - 1/8/2019
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ESG

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Ministério da Economia reduz projeção para o PIB de 2020 para crescimento de 2,1%

Estimativa anterior era de alta de 2,4%; revisão foi anunciada em momento de incerteza sobre o desempenho da atividade econômica diante do avanço do novo coronavírus

Idiana Tomazelli e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 10h34

BRASÍLIA - A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia revisou sua expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2020. A nova projeção é de alta de 2,1% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Antes, a estimativa era de avanço de 2,4%.

Na segunda-feira, 9, os analistas do mercado financeiro reduziram, pela primeira vez, a estimativa de crescimento da economia brasileira para um patamar abaixo de 2% em 2020. De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a projeção passou de 2,17% para 1,99%.

A nova previsão do Ministério da Economia foi anunciada em um momento de incerteza sobre o desempenho da atividade econômica diante do avanço do novo coronavírus. O dado faz parte da nova grade de parâmetros que a equipe econômica utilizará para reestimar receitas e despesas do Orçamento. Essa revisão será anunciada até 22 de março.

A arrecadação federal foi projetada com base em uma expectativa de crescimento de 2,32% em 2020. O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, admitiu na terça-feira, 10, que a retomada mais lenta deve comprometer as receitas e levar a um bloqueio de despesas no Orçamento para evitar o descumprimento da meta fiscal, que permite déficit de até R$ 124,1 bilhões.

Outro parâmetro que deve influenciar a queda nas receitas é o choque nos preços do petróleo no mercado internacional. A lei orçamentária foi formulada com base em uma expectativa de cotação média de US$ 58,96 por barril de petróleo Brent, mas a commodity encerrou o pregão de ontem a US$ 37,22. O governo não trouxe projeções sobre o petróleo no relatório.

O governo também deve retirar da conta os R$ 16,2 bilhões esperados com a privatização da Eletrobrás, cujo projeto ainda não avançou no Congresso.

Demais projeções

O governo ainda revisou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2020, de 3,73% para 3,28%. O indicador serve de referência para a correção do salário mínimo, que por sua vez afeta o valor de dois terços dos benefícios pagos pelo INSS, além de gastos com abono salarial e assistência social. O resultado do INPC de 2020 será aplicado na correção do salário mínimo, hoje em R$ 1.045, no ano de 2021.

As projeções da SPE também indicam alta de 3,12% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, indicador oficial de inflação no País), ante uma expectativa de avanço de 3,62%.

Em relação ao Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que capta a movimentação de preços no atacado, a previsão de alta passou de 4,32% para 3,66%.

Efeitos do coronavírus

Num momento de incertezas sobre o impacto do avanço do coronavírus sobre a atividade econômica, a secretaria traçou diferentes cenários para o contexto brasileiro e, em seu cenário base, vê a possibilidade de um efeito negativo de 0,3 ponto porcentual sobre o crescimento do PIB.

Em um cenário otimista, por sua vez, o impacto seria menor, de 0,1 ponto porcentual. Num cenário pessimista, a redução poderia ser de até 0,5 ponto porcentual.

A SPE incluiu uma nota específica sobre o efeito do coronavírus na economia brasileira em seu Boletim Macrofiscal de março. No documento, o órgão afirma que os principais canais de transmissão são a redução das exportações (sobretudo de commodities, principal item da pauta da balança comercial brasileira), a queda nos preços internacionais de commodities e o aumento do valor de insumos importados.

A interrupção da cadeia produtiva de alguns setores também é um risco, segundo a SPE. De acordo com o órgão, a paralisação da produção e do escoamento de bens intermediários chineses (a China é o epicentro da epidemia), importantes para a indústria brasileira, pode afetar a produção de manufaturados em alguns setores, induzindo a uma redução nos estoques.

Outros fatores que podem influenciar são a queda no fluxo de pessoas e mercadorias e a redução nos preços dos ativos, com piora nas condições financeiras. “Após o aumento expressivo no número de novos casos fora da China, houve aumento na volatilidade dos mercados e na demanda por ativos de menor risco. O aumento na incerteza e piora nas condições financeiras podem desta forma impactar os investimentos no curto prazo e dificultar o acesso a crédito”, diz a SPE.

Apesar disso, a secretaria não incluiu esse canal nas simulações por avaliar que a contaminação por essa via depende de um agravamento na epidemia.

A SPE avalia também que a infecção pode ter um efeito forte sobre a produtividade. Ao todo, a Secretaria simulou 81 cenários diferentes, que vão de uma queda de 0,10 ponto porcentual até uma redução de 0,66 pp no PIB brasileiro decorrente desse fator.

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