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Ministério da Fazenda virou ''Porta da Esperança''

Empresários e políticos aproveitam a crise para fazer todo tipo de lobby

Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

O tombo na produção nacional mais forte do que o esperado neste início de ano transformou o Ministério da Fazenda numa espécie de "Porta da Esperança" de empresários, governadores, prefeitos, sindicalistas, políticos e até mesmo de outros ministros. Todos reforçaram o lobby para conseguir novas e velhas reivindicações, que há pouco tempo não encontravam nem mesmo espaço de discussão na equipe econômica.Mas se a lista de pedidos é grande e variada, o "baú da felicidade" é cada vez menor porque a desaceleração do crescimento da economia interna e a redução da demanda internacional pelos produtos brasileiros derrubaram a arrecadação. O "turbilhão" de pedidos tem deixado confusos os secretários do ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsáveis pela análise das reivindicações. Um deles ao chegar de uma reunião no Palácio do Planalto resumiu o quadro com o seguinte desabafo: "Está faltando bom senso." O governo fica entre desonerar e garantir mais recursos na mão do contribuinte (empresa ou pessoa física) ou usar o aparato do Estado para garantir investimento e crédito que possam estimular depois a atividade econômica. Nos Estados Unidos, existe o mesmo dilema. Lá os contribuintes ganharam abatimento de impostos, mas preferiram guardar o dinheiro, com medo do futuro. Dessa forma, não há aumento de consumo, como o desejado. "Estamos fazendo um mix das duas coisas", disse outro secretário de Mantega, admitindo, no entanto, que a segunda linha de ação deve prevalecer nas decisões do governo daqui para frente, com o reforço no caixa do BNDES e a ação mais forte dos bancos públicos. GACA "feira livre" de propostas se agravou depois que foi criado o Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), que reúne ministros, integrantes do governo e lideranças empresariais para discutir a evolução da crise no Brasil e propostas para combatê-la. Dois integrantes da equipe econômica já confidenciaram que o GAC foi uma decisão errada, porque trouxe a crise e o lobby para a portaria do Ministério da Fazenda, onde ganham "voz mais amplificada" com a cobertura jornalística permanente. Na última reunião do GAC, participaram 48 pessoas. "Ninguém discute nada a sério num ambiente desse. É só palco para os empresários na portaria", admitiu um assessor de Mantega. Até mesmo o sempre discreto presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não escondeu o desconforto. Ao anunciar as regras de empréstimo para as empresas com os dólares das reservas, Meirelles desabafou: "De 14 empresários, só um mencionou o Copom e foi para pedir que mudássemos a periodicidade dos encontros", disse. A área econômica do governo avalia que tem havido exagero dos empresários no "alarmismo" do quadro econômico. A crítica é que muitas empresas se utilizam do discurso da crise para fazer ajustes mais fortes de pessoal e conseguir benefícios maiores. "O governo conta com a melhora dos indicadores econômicos para desmontar esse discurso", disse um integrante da Fazenda. Os secretários do ministro e a área técnica da Fazenda têm se desdobrado para receber as "missões" empresariais que todos os dias batem à porta da sede do ministério. O que não tem faltado é político chefiando essas "missões". A senadora do PT, Ideli Salvatti (SC), já chegou a divulgar agenda do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa - anunciou até decisões tomadas que não passavam de estudos. Os setores que têm mais influência econômica e articulação política falam direto aos "ouvidos" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Há propostas de todos os tipos. Desde empréstimo-ponte da Caixa e do Banco do Brasil para investimentos em infraestrutura até uso de linha de crédito do BNDES para o pagamento de tributos. Os empresários querem, sobretudo, mais tempo para pagar impostos e maior agilidade na compensação de créditos. Com o pedido de Lula para que os governadores mantenham os investimentos, os Estados querem reduzir o contingenciamento que o Conselho Monetário Nacional (CMN) impõe aos bancos para emprestar aos Estados e municípios. No caso do Rio Grande do Sul, o banco do Estado, o Banrisul, tem R$ 350 milhões para emprestar, mas não pode liberar por causa do contingenciamento. "O presidente me pediu para manter o investimento", disse a governadora Yeda Crusius.

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