Ministério diz que aftosa não representa risco para homens

Temendo queda no consumo de carnes e leite depois da descoberta de cinco focos de febre aftosa no País, o Ministério da Agricultura divulgou hoje nota esclarecendo que a doença não representa risco para a saúde humana. "Em adultos, a infecção clínica é rara e provavelmente está associada a uma sensibilidade excepcional, de origem desconhecida", informaram técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária. Eles não descartam a possibilidade da doença em humanos, mas explicam que "a febre aftosa no homem é uma doença benigna, ou seja, com uma sintomatologia leve que se cura entre uma ou duas semanas". "Em humanos, os sintomas são febre, dor de cabeça no início. Depois, podem aparecer aftas nas vesículas, boca, mãos e pés", completou. De acordo com um veterinário do ministério, tratando-se de uma virose, o tratamento é apenas sintomático, ou seja, para amenizar os sintomas da febre e das vesículas. Nesse último caso, o tratamento deve ser feito para evitar uma infecção bacteriana secundária. "Pode-se dizer, com segurança, que a febre aftosa é um problema essencialmente econômico e social", informou o departamento.No caso dos animais, eles ficam doentes e perdem peso. Aftas no úbere das vacas não permitem a ordenha ou a amamentação dos bezerros. O pecuarista é obrigado a abater os animais. Se o rebanho é pequeno, é feito o chamado abate sanitário, ou seja, o lote doente é enviado ao frigorífico para o abate. A carne, nesse caso, pode ser destinada ao consumo humano. A segunda possibilidade vale quando o rebanho infectado é maior, como no caso do Mato Grosso do Sul: sacrifício e enterro em valas dos animais abatidos.Participação do homem O ministério esclareceu ainda que o papel mais importante do homem em episódios de febre aftosa é a possibilidade de transmissão indireta do vírus a animais sadios através de roupas, calçados e mãos contaminadas, já que o agente pode sobreviver durante vários dias no meio externo.Apesar de a infecção ter sido comprovada no homem na década de 30, em todo o mundo apenas 40 casos foram registrados em humanos até hoje, a maior parte por acidentes em laboratórios e com características benignas, informou o governo.O ministério alertou, entretanto, para o risco de ingestão de leite cru, oriundo de vacas enfermas. "Evidências circunstanciais sugerem que crianças podem adoecer se ingerirem leite cru, o que pode ser evitado por meio do consumo de leite pasteurizado ou de leite submetido à fervura, uma recomendação importante para prevenção de muitas outras doenças transmitidas pelo produto", completaram os técnicos.

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