Mauro Pimentel/AFP
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Economia diz que famílias dependem menos de auxílio, mas renda só volta com fim de isolamento

Em estudo, ministério afirma que o nível de rendimento das famílias já está voltando ao normal, não sendo necessária a continuação do auxílio emergencial em 2021

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 17h48

BRASÍLIA - Mesmo com o aumento contínuo dos casos e mortes por causa do novo coronavírus, o Ministério da Economia afirmou que, para que a renda de quem recebe o auxílio emergencial se recupere, é preciso reduzir o isolamento social para níveis de antes da pandemia. 

De acordo com estudo da Secretaria de Política Econômica (SPE) do ministério, a diferença entre a renda das famílias de antes da pandemia e a de agora, com a redução do auxílio à metade, só será compensada se o isolamento social cair para 29% - em outubro estava em 37%. Em fevereiro, antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a doença pelo novo coronavírus como pandemia, o nível médio de isolamento estava em 28%.

O isolamento social é recomendado pelas autoridades sanitárias, incluindo a OMS, como a forma mais segura de se contaminar com o novo coronavírus e evitar um colapso no sistema hospitalar. 

Segundo o último levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, foram registrados 178.184 óbitos desde o começo da pandemia, 796 nas últimas 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 617, a mais alta registrada desde 7 de outubro - nesse dia, a média foi de 631. A variação foi de +31% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença.

Sobre os infectados, eram 6.675.915 brasileiros com o novo coronavírus, com 47.850 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 41.056 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +31% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta também nos diagnósticos.

Com o fim do auxílio emergencial se aproximando sem que o governo tenha definido ainda um substituto para o programa a partir de janeiro, a SPE alegou que a dependência das famílias mais pobres em relação ao benefício tem sido cada vez menor.

O auxílio emergencial foi criado no auge da pandemia de covid-19 para garantir a renda de trabalhadores informais, desempregados e beneficiários de programas sociais. O programa alcançou 68 milhões de pessoas, com pagamentos mensais de R$ 600 de abril a agosto, reduzidos para R$ 300 por mês de setembro a dezembro.

“O auxílio emergencial conseguiu atender seus objetivos ao se concentrar nos trabalhadores informais, nos desocupados e naqueles que estão fora da força de trabalho, em especial, nos decis mais baixos da distribuição. A política manteve sua focalização relativamente estável ao longo dos meses”, reforçou a SPE. Os decis correspondem a dez segmentos com a mesma quantidade de pessoas, das mais pobres às mais ricas. 

De acordo com o ministério, nos últimos meses tem caído a diferença entre o rendimento que era habitual dessas famílias antes da pandemia e o rendimento efetivo atual – desconsiderado o reforço do auxílio. Ou seja, a renda dessas pessoas obtida fora dos programas do governo estaria se recuperando para níveis pré-crise.

A SPE mostra que houve uma queda expressiva no hiato (diferença) das rendas habitual e efetiva ao longo do segundo semestre do ano. Essa diferença média, que chegou a ser R$ 510,48 em maio, caiu para R$ 200,93 em outubro, uma redução de 60%. O ministério destaca ainda que a recomposição é ainda mais significativa entre as famílias de menor renda.

“Esse movimento denota que as famílias estão recuperando sua capacidade de obter renda fora do auxílio emergencial. Quando comparado com o hiato registrado antes da pandemia, constata-se que a situação atual se aproxima, rapidamente, da observada em tempos de normalidade, em especial para os informais situados nos decis mais baixos da distribuição”.

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