Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministra da Agricultura defende fim da tabela do frete rodoviário

Para Tereza Cristina, medida é 'perversa', por elevar os custos do setor produtivo; ANTT vai abrir audiência pública sobre o tema nesta semana

Reuters, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 17h28

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defendeu nesta segunda-feira, 8, a extinção da tabela do frete rodoviário, considerada por ela “perversa”, na medida em que eleva custos do setor produtivo.

A avaliação da ministra foi feita em um momento em que o próprio governo busca um aperfeiçoamento da tabela, instituída após a greve dos caminhoneiros, no fim de maio do ano passado, em protesto contra altos custos do diesel e baixa remuneração do frete.

Entre os setores mais prejudicados pela tabela está o de grãos. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu na semana passada sua perspectiva de exportação de milho do Brasil, citando que os embarques neste ano podem ser menores que o projetado se a tabela continuar em vigor.

A ministra comentou que tem conversado sobre o problema com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, responsável por conduzir o assunto dentro do governo e junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde a constitucionalidade da tabela aguarda um julgamento desde meados do ano passado, após ações de contratantes de frete.

Uma audiência pública para estabelecer regras gerais, metodologia e indicadores dos pisos mínimos do frete será aberta na terça-feira pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo Tereza Cristina, documento com proposta da nova tabela deverá ser divulgado no fim de maio.

“Mas o ideal é que a tabela caísse pois, afinal, vivemos em uma economia aberta”, defendeu. “Precisamos sentar e conversar, para chegar a um entendimento entre as partes e não criar lei e tabelamento”, disse ela, durante a 18.ª feira Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO).

Há duas semanas, uma das entidades que representam caminhoneiros autônomos do País, a Abcam, informou que o nível de insatisfação da categoria estava “muito grande” e que isso poderia resultar em uma nova greve dos motoristas.

No mesmo evento, a ministra voltou a destacar que a reforma da Previdência é “um assunto que o Brasil precisa resolver e não apenas o presidente Jair Bolsonaro, ou um ministro, ou a Câmara dos Deputados”.

“Eu tenho certeza de que a bancada do agronegócio sabe a importância que ela tem em todas as votações, principalmente, nesse momento em que pode ser o equilíbrio daquela casa”, afirmou, em referência a uma das maiores bancadas do Congresso.

 

Missão à Ásia

Em maio, a ministra vai para a Ásia, com o objetivo de ampliar os embarques dos produtos do agronegócio, como frutas e carnes. Segundo o ministério da Agricultura, ela começará a viagem pelo Japão, passando por China e Vietnã, onde deve se encontrar com autoridades e investidores estrangeiros.

Em Tóquio, onde deverá chegar no dia 9, participará de reuniões bilaterais com os ministros da Agricultura e da Saúde japoneses.

A ministra também vai participar de eventos em cafeterias de Tóquio e Xangai (China), para promover cafés especiais brasileiros. O mercado chinês de café é um dos que mais crescem no mundo.

Tereza Cristina ainda estará na feira Sial, na China, promovendo as carnes do Brasil. Nos dias 15 e 16 de maio, em Pequim, terá encontros bilaterais com autoridades da área sanitária, para discutir temas agrícolas de interesse do Brasil.

Em seguida, vai para o Vietnã, onde também deve defender a abertura de mercado a produtos brasileiros.

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