Ministra diz 'dispensar' sugestões do FMI

Em resposta à revisão para baixo de crescimento econômico do País, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse ontem que o governo brasileiro "dispensa o receituário" da entidade. No documento, o Fundo considera "um equívoco" a adoção de novos estímulos à economia.

BEATRIZ ABREU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2013 | 02h09

"O FMI tem todo direito de fazer previsão sobre as economias dos países. Mas dispensamos as sugestões e receituário para medidas adotadas pelo Brasil", disse Gleisi em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

A ministra apontou pelo menos três motivos para dispensar as sugestões. O primeiro é que "não há relação do Brasil com FMI". "Aliás, ao contrário. Somos credores do Fundo, nada mais devemos a eles", disse. Todas as vezes que o Brasil aplicou medidas indicadas pelo FMI, o País, segundo ela, enfrentou "recessão, desemprego e dor do povo brasileiro".

Ela reafirmou que o governo da presidente Dilma Rousseff "tem compromisso com a estabilidade fiscal" e assegurou: "Não trabalhamos com política fiscal frouxa. Trabalhamos com política anticíclica. Foi o que fizermos na crise de 2008 e é o que estamos fazendo agora". Os indicadores macroeconômicos mostram, na avaliação da ministra, a responsabilidade do governo, por exemplo, na relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), atualmente em "apenas 35%".

"Se utilizássemos o receituário do FMI, estaríamos com desemprego e recessão igual à Europa", afirmou. Segundo ela, trata-se de um governo "para o povo", e as finanças públicas têm de ser o instrumento para garantir o "bem-estar das pessoas".

A ministra também reagiu à argumentação do Fundo de que o governo, com a inflação acima do teto da meta, deveria abandonar qualquer estímulo monetário adicional. O IPCA acumulado nos 12 meses encerrados em junho está em 6,7%, enquanto o teto da banda é de 6,5%. "O que se esgotou foi a política que eles apregoam. Uma política que já está ultrapassada e já se provou ultrapassada", reagiu Gleisi.

"Onde estava o FMI na crise 2008? As agências de rating ameaçaram o Brasil, e um mês antes da crise de 2008 tinham dado uma nota alta para uma instituição financeira que quebrou (Lehman Brothers)."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.