Kyodo/ via Reuters
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Ministra do Japão diz que críticas de Ghosn à Justiça japonesa são 'intoleráveis'

Masako Mori afirmou que o executivo, que fugiu de Tóquio para Beirute, tem espalhado falsas informações sobre o sistema jurídico japonês

O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 16h56

A ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, desafiou o ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, nesta quarta-feira, 8, a defender sua inocência nos tribunais japoneses e rejeitou as críticas contra o sistema judicial japonês feitas por ele. "Se o réu Ghosn tem algo a dizer... ele deve buscar a justiça oferecida pelas instâncias judiciais japonesas", disse à imprensa pouco depois da meia-noite, depois que Ghosn terminou sua conferência de imprensa em Beirute.

Falando pela primeira vez desde que foi preso em Tóquio, em 19 de novembro de 2018, sob acusação de má conduta financeira, Ghosn disse que foi vítima de uma "perseguição política" por sua intenção de fortalecer ainda mais a aliança entre a Nissan e a Renault. Ele também acusou a empresa japonesa de estar em conluio com a promotoria de Tóquio e disse que decidiu fugir do país, no último dia 29, ao perceber que tinha "zero chance" de obter um julgamento justo.

Masako Mori disse estar confiante de que Ghosn "fará todos os esforços para defender seu caso em um processo judicial" no Japão.

O executivo, que esteve no comando da Nissan por quase duas décadas, é acusado de não declarar parte da remuneração acordada com a empresa e de usar os recursos da empresa para ganho pessoal.

A ministra lembrou que o juiz concordou em libertá-lo sob fiança em 25 de abril com uma série de condições que o proibiam de deixar o país e descreveu as críticas que ele fez ao sistema judicial japonês como "intoleráveis". "Ele tem espalhado tanto dentro do Japão quanto internacionalmente falsas informações sobre o sistema jurídico e suas práticas", afirmou.

Ela enfatizou que o sistema criminal japonês inclui "procedimentos apropriados" para "obter a verdade, garantindo direitos humanos individuais básicos", e citou algumas das particularidades dos processos criminais no Japão. Entre elas o fato de que no país, "com poucas exceções", um mandado de prisão é realizado após o caso ter sido analisado anteriormente por um juiz, "que é independente da autoridade investigadora".

Ghosn criticou o fato de ter sido impedido de se comunicar com sua mulher, Carole, mas a promotoria de Tóquio tem dito que as suspeitas também recaem sobre ela. Logo após a entrevista do executivo, a promotoria afirmou que Carole Ghosn era supostamente "uma das pessoas envolvidas em um esquema de transferência de fundos que o réu obteve da Nissan, violando seus deveres leais. "

"O réu Ghosn, por meio de sua esposa, entrou em contato com outras pessoas afetadas e, portanto, conspirou e alterou evidências", afirmou o Ministério Público em comunicado. A promotoria também descreveu como "categoricamente falsa" e "completamente contrária aos fatos" a afirmação de Ghosn de que os advogados conspiraram com a Nissan para prejudicar o ex-presidente da empresa.

Ghosn, que foi processado por quatro causas e teria de comparecer ao primeiro julgamento a partir de abril, fugiu de Tóquio no fim de dezembro e se refugiou em Beirute. Na conferência de imprensa nesta quarta, ele não deu detalhes sobre como escapou do Japão e de quem teve ajuda. / EFE

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