Ministra francesa duvida de progresso rápido na OMC

A ministra francesa do Comércio, Christine Lagarde, disse na sexta-feira que não prevê progressos num futuro próximo nas negociações comerciais globais e que a nova lei agrícola dos Estados Unidos é um obstáculo para um acordo. "Devido às várias posições, e em particular à posição dos EUA tal qual está apresentada pelo menos implicitamente na proposição da lei agrícola, não as vejo avançando no futuro imediato", disse Lagarde a jornalistas. A lei agrícola norte-americana inclui regras para gastos com subsídios, meio ambiente e nutrição. Para a ministra francesa, esse projeto "faz pensar que os agricultores dos EUA vão continuar querendo seus subsídios. Sob tais circunstâncias, parece extremamente improvável que os EUA façam um esforço significativo envolvendo a redução do apoio doméstico." O governo dos EUA divulgou o projeto agrícola para 2007 na semana passada. O pacote prevê gastos de 87 bilhões de dólares no setor nos próximos dez anos. A Organização Mundial do Comércio (OMC) suspendeu em meados do ano passado a chamada Rodada Doha, de redução de barreiras ao comércio global, mas agora há sinais dos principais participantes de que ela será retomada. A França, defensora dos subsídios agrícolas na UE, alertou repetidamente o comissário (ministro) europeu do Comércio, Peter Mandelson, para não ir longe demais nas concessões. "Acho que ele entendeu muito bem que qualquer proposta que fizer deve ficar dentro do marco do seu mandato", disse Lagarde, referindo-se especificamente à reforma da Política Agrícola Comum decidida em 2003. Nos bastidores, as negociações entre UE e EUA continuam sobre como eliminar as discordâncias a respeito do comércio agrícola, disse na sexta-feira uma fonte européia em Bruxelas. Um acordo entre as duas partes facilitaria um consenso mais amplo na OMC, que depende também de grandes países em desenvolvimento, como Brasil e Índia. Autoridades norte-americanas e européias buscam um acordo especialmente a respeito dos chamados "produtos sensíveis" para a UE, aqueles que Bruxelas deseja proteger do impacto do corte de tarifas de importação. Os setores de carne bovina, suína e de frango são três áreas importantes em que os produtores dos EUA querem mais abertura na UE, sob a forma de quotas tarifárias que fariam o bloco importar volumes específicos. "Estamos chegando perto, mas ainda não estamos lá", disse a fonte da UE. "Há uma genuína sensação de que isso pode ser feito, e uma genuína nova sensação nos Estados Unidos, embora a política seja amedrontadora."

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