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Ministra inglesa critica protecionismo agrícola europeu

A ministra para o Comércio e Investimento do Reino Unido, Symons of Verham Dean, fez nesta quarta-feira duras críticas ao protecionismo agrícola nos países ricos e garantiu que o governo britânico está determinado a promover políticas na Política Agrícola Comum (PAC) da União Européia (UE) que poderão beneficiar o acesso de produtos brasileiros.Ao discursar num almoço promovido pela Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha, ela fez pesadas críticas à resistência de alguns países europeus em derrubar as barreiras comerciais do bloco. "Cada cabeça de gado na União Européia recebe um subsídio diário de US$ 2 enquanto temos dezenas de milhões de pessoas no mundo que são obrigadas a sobreviver com a metade disso", disse Symons, que também é vice-líder da Câmara dos Lordes. "A Europa precisa reformar a PAC para honrar os seus compromissos, inclusive para o avanço da rodada multilateral lançada no ano passado em Doha e ajudar os país em desenvolvimento." Segundo ela, mudar a CAP "não é caridade, é promover justiça".Ao longo das últimas semanas, a PAC vem causando desentendimento entre os governos britânico e francês. A França pretende adiar a revisão da PAC que está sendo promovida pela Comissão Européia, o órgão executivo da UE. Essa reforma deverá mudar o foco da política agrária do bloco europeu da atual concessão de subsídios para a promoção do desenvolvimento rural.Há duas semanas, após uma discussão com o primeiro-ministro Tony Blair sobre o tema, o presidente Jacques Chirac cancelou um encontro de cúpula anglo-francês que estava previsto no final deste ano. O líder francês acusou Blair de tê-lo tratado com descortesia. Desde então, os dois países decidiram realizar o encontro em janeiro próximo.A ministra qualificou como "hipócrita" a atitude de alguns países europeus em relação à queda dos subsídios agrícolas. "Temos que abandonar essa postura de falar uma coisa quando estamos reunidos a portas fechadas e mudar o discurso quando estamos diante dos países em desenvolvimento", afirmou. LulaA exemplo de outros integrantes do governo britânico, a ministra para o Comércio e Investimento, fez comparações entre o início do mandato do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a primeira fase do governo trabalhista liderado por Blair, em 1997. "Nós entendemos os desafios que serão enfrentados pelo presidente eleito do Brasil", disse a ministra. "Quando nós, uma partido de esquerda, assumimos o governo em 1997 tivemos que convencer os mercados de faríamos um gerenciamento responsável e eficiente da economia, isso levou algum tempo".Segundo ela, "após um período de austeridade e reformas, o governo trabalhista pode se concentrar, inclusive com recursos públicos inéditos, em temas prioritários com saúde, educação e na criação de empregos". Segundo ela, a mensagem transmitida por Lula "até o momento é positiva, inclusive deixando claro que coloca os interesses do país acima dos interesses do seu partido".A ministra disse estar confiante de que o Brasil terá condições de superar a atual volatilidade financeira. "O país tem um superávit primário robusto, um sólido setor financeiro e a recente reviravolta no superávit comercial é uma conquista espetacular", afirmou. "É essencial que o Brasil continue aberto ao comércio mundial, negociando acordos bilaterais e multilaterais."A ministra foi questionada sobre as razões que levaram Blair a não se encontrar com Lula no ano passado durante a sua visita ao Brasil. O assunto vem sendo muito comentado nos bastidores diplomáticos e o jornal The Guardian recentemente qualificou a atitude do primeiro-ministro como "estupidez". Segundo a ministra, Blair "cumpriu uma agenda muito apertada" na visita à América do Sul, que incluiu também a Argentina.Ela salientou no entanto, que o governo britânico deverá enviar um "representante do alto escalão" para a posse de Lula. Além disso, ela poderá liderar uma nova missão comercial ao Brasil no próximo ano.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2002 | 18h50

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