André Dusek/Estadão
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Ministra minimiza alta do trabalho infantil na Pnad, mas alerta sobre corte no Bolsa Família

Para Tereza Campello, corte no programa social aumentaria a pobreza e levaria mais crianças ao trabalho

Carla Araújo, Daniela Amorim, Roberta Pennafort e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 19h25

A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, minimizou nesta sexta-feira, 13, o aumento do trabalho infantil em 2014 e disse que a tendência no Brasil é de queda. Reforçou, entretanto, que um corte no Bolsa Família teria um forte impacto no aumento da pobreza e, consequentemente, levaria mais crianças ao trabalho. 

 

Segundo ela, o corte de R$ 10 bilhões no programa, como tem proposto o relator-geral do Orçamento de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR), retiraria o benefício de 23 milhões de pessoas. "Desses, 11 milhões são crianças, acho (que o corte) teria impacto não só no nível de renda da população pobre, na extrema pobreza, como a gente teria no curto prazo impacto no trabalho infantil e impacto na presença das crianças na escola", afirmou. 

 

Para Tereza, não há nenhuma explicação que justifique ter aumentado o número de crianças trabalhando no ano passado e atribuiu a uma base comparativa mais forte em 2013.  "Tem que olhar, investigar e normalizar a curva. Talvez 2013 seja o ponto fora da curva e não 2014, uma reversão da curva. Não acredito que a gente está tendo uma reversão da curva do trabalho infantil porque a gente tem ações (nessa área)", disse. 

 

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País registrou um aumento no trabalho infantil em 2014. O número de pessoas de 5 a 17 anos ocupadas cresceu 4,5%, o equivalente a 143,5 mil crianças e adolescentes a mais nessa condição. 

 

Segundo a ministra, apesar dessa alta no ano passado, o histórico do trabalho infantil no País apresenta uma "tendência de queda consistente" e as ações do governo têm surtido efeito. "Conseguimos debelar as formas mais visíveis do trabalho infantil", afirmou, destacando o uso de mão de obra de crianças em carvoarias e indústrias.  

 

A principal forma de trabalho infantil atualmente, destacou Campello, é na agricultura familiar e trabalho doméstico. "E não tem uma forma, a não ser com denúncia, de chegar (a fiscalização)", explicou. 

Para a ministra, é preciso que haja uma transformação cultural no Brasil, pois muitas vezes o trabalho infantil ligado a agricultura é de forma auxiliar, do filho trabalhando com o pai. "Tem uma questão cultural que é o grande desafio do Brasil agora, é enfrentar essas formas (de trabalho infantil) que são em algumas partes aceitáveis", disse, citando que para seu avó italiano antigamente era orgulho ter os filhos jovens trabalhando na lavoura. 

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