Ministro admite atraso de editais

Mas garante que obras acabam até dezembro de 2010

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

O ministro da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, admitiu o atraso na divulgação dos editais de licitação do Programa Nacional de Dragagem (PND), lançado em dezembro de 2007. Mas garantiu que todas as obras serão concluídas dentro do prazo estabelecido, até dezembro de 2010. Até agora, apenas dois portos (Itaguaí e Recife) tiveram os serviços iniciados. No total, 17 terminais serão contemplados pela limpeza dos canais de acesso, num total de investimento superior a R$ 1,4 bilhão. Outros três portos aguardam autorização para serem incluídos no plano do governo federal e vão exigir recursos da ordem de R$ 120 milhões. O objetivo é elevar a profundidade dos portos entre 11 (Cabedelo) e 20 metros (Suape).Segundo o ministro, nesta semana devem ser anunciados os vencedores da licitação de Santos, Rio Grande - sob investigação da Secretaria de Defesa Econômica (SDE) por formação de cartel - e Fortaleza. "Estamos andando a passos largos", afirmou, admitindo que a secretaria teve de passar por um aprendizado, já que há mais de dez anos não havia dragagem de aprofundamento nos portos. Além da burocracia do governo, questionamentos ambientais sobre o depósito dos sedimentos retirados do fundo do mar contribuíram para atrasar o processo, em relação ao cronograma inicial.O diretor do Instituto de Logística e Suppy Chain (ILOS), Paulo Fleury, professor da Coppead/UFRJ, destaca ainda que o programa coincidiu com um momento complicado no mundo. "Não havia draga (máquina de fazer dragagem) suficiente no mundo. A maioria estava sendo usada em Dubai para construir ilhas artificiais."Para o diretor executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Elias Gedeon, a criação do PND foi uma ótima sinalização para o setor. Agora precisa, de fato, andar a passos largos, como disse o ministro. "A dragagem dos portos brasileiros não pode esperar mais tempo."Ele destaca que quanto maior o navio, menor é o custo do transporte e vice-versa. "Hoje já temos navios com capacidade para transportar 16 mil contêineres. Mas eles exigem canais com grande profundidade." O executivo destaca que até mesmo as embarcações mais antigas exigem calados maiores que 11 metros. "O setor portuários precisa de tratamento diferenciado. Não podemos deixar os navios saírem dos portos com a metade da sua capacidade nem depender do regime de marés. Isso tudo encarece o produto nacional."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.