Elias Oliveira/Estadão
Elias Oliveira/Estadão

Ministro admite que obras podem ser paralisadas no País por falta de recursos

'Vai haver várias reclamações dos senhores sobre paralisação de obras. Parou, sim!', disse o ministro dos Transportes a senadores; mais tarde, ministro disse que foi mal interpretado: 'Não é atrasar é adequar'

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 12h24

Texto atualizado às 15h30

BRASÍLIA - O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues (PR), admitiu nesta quarta-feira, 29, que obras no País podem ser paralisadas por falta de recursos. Em audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) no Senado, ele disse que tem recebido reclamações de empreiteiros cobrando quando o ministério vai pagá-los pelas obras.

"É notório para todos que, ontem, recebi o recurso... Estou acabando de pagar ainda dezembro e iniciando janeiro. Então, vai haver várias reclamações dos senhores sobre paralisação de obras. Parou, sim! Eu não vim aqui, não há cortina de fumaça, eu não posso esconder o que está acontecendo no Ministério", disse ele.

Mais tarde, porém, Rodrigues afirmou que sua fala no Senado foi mal interpretada. "Vocês estão levando para outro lado", afirmou o ministro. "As obras estão todas em andamento e nós vamos ter recursos até o final de maio. Vamos dar continuidade em todas as obras sim, só que eu vou ter obras prioritárias", completou. Rodrigues assegurou que as obras não serão atrasadas, mas adequadas a um "cronograma novo". "Vocês estão colocando atrasar na minha boca. Não é atrasar é adequar", reclamou, ao ser questionado sobre a paralisia das obras.

Na entrevista, o ministro disse que vai reunir toda a estrutura do ministério hoje para tratar sobre quais obras são prioritárias e destacou que o novo cronograma vai depender dos recursos financeiros à disposição.

Senado. Na audiência público no Senado, Rodrigues afirmou que o ministério, juntamente com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec, tem sido cobrado pelas construtoras sobre o cronograma de pagamento do governo e o que será pago. Ele disse que vai se reunir com os empreiteiros quando souber e tiver um cronograma para saber como tocará as obras.

"Assusta receber um telefonema falando: 'Ou você me paga hoje - e eu não tenho - ou vai parar a obra tal'", afirmou, ressaltando que tem recebido telefonemas e visitas nos últimos quatro meses.

O ministro disse que espera o aporte, previsto para o ano de 2015, de R$ 13,6 bilhões em investimentos para começar a discutir as prioridades da área. Ele afirmou que, até o início do mês, terá uma previsão da equipe econômica de quanto a pasta que comanda terá para usar.

Rodrigues e os senadores defenderam a necessidade de sensibilizar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para liberar recursos para o setor. O governo tem feito um forte ajuste fiscal este ano, segurando despesas. O ministro pediu aos senadores desculpas por não poder afirmar, até o momento, quais são as prioridades. 

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