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Ministro admite racionamento se nível dos reservatórios cair para 10%

Segundo Braga, com 10% de água nas represas, governo terá de tomar medidas; reservatórios do Sudeste e Nordeste tinham 17% nesta quinta-feira

Anne Warth e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 20h39

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, admitiu nesta quinta-feira, 22, pela primeira vez que o governo terá de adotar medidas de racionamento de energia caso o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas fique abaixo de 10%. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que os reservatórios estavam ontem em 17,43% na região Sudeste/Centro-Oeste e em 17,18% na região Nordeste. 

“É claro que, se tivemos de tomar uma medida que seja prudencial, nós tomaremos. O limite é 10%”, afirmou o ministro, ao ser questionado sobre em que momento o governo adotaria medidas de estímulo à economia de energia ou mesmo um racionamento.

“É obvio que se nós tivermos mais falta de água, se passarmos do limite prudencial de 10% nos nossos reservatórios, estaremos diante de cenário que nunca foi previsto em nenhuma modelagem”, disse Braga. “A partir daí, teríamos problemas graves, mas estamos longe disso.”

Braga afirmou que, se o nível atual dos reservatórios das hidrelétricas se mantiver, haverá energia suficiente para abastecer o País. Mas ele explicou que nenhuma usina hidrelétrica pode operar com reservatórios abaixo de 10% por conta de problemas técnicos que impedem o funcionamento das turbinas. 



Ainda assim, o ministro relatou que o ritmo hidrológico já atingiu o mínimo em diversas regiões do País e que, além da questão hidrelétrica, o abastecimento de água também preocupa o governo. Por isso, hoje haverá uma reunião na Casa Civil com representantes dos ministérios de Minas e Energia, de Meio Ambiente, de Ciência e Tecnologia e da Agência Nacional de Águas (ANA).

“Estamos traçando cenários com especialistas para estabelecermos planos. Temos de acompanhar a situação com atenção sem sermos otimistas nem pessimistas”, afirmou Braga.

Argentina. Apesar de não ocorrer desde 2010, a importação de energia elétrica da Argentina pelo Brasil nesta semana foi classificada como “rotineira” por Braga. A opção por trazer eletricidade do país vizinho não decorreu de falta de suprimento nacional, mas da incapacidade de se trazer para o Sudeste a energia que sobrava no Nordeste. Nesta quinta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, o Brasil importou energia da Argentina para complementar a oferta brasileira. 

“O Brasil tem um acordo com a Argentina desde 2006. É uma operação normal, que sequer é tratada como compra de energia, mas como compensação”, disse o ministro. “Trata-se de uma operação rotineira, não é extraordinária ou excepcional.”

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