Ministro alemão cria falsas expectativas

Schäuble teria levantado hipótese de perdão para a dívida grega para depois voltar atrás

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h06

O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, contrariando a política oficial do país, afirmou na segunda-feira que poderia estar aberto um perdão de parte da dívida da Grécia, desde que os gregos se mantivessem fiéis às reformas econômicas prometidas, segundo afirmaram duas fontes com conhecimento do assunto ouvidas pelo Wall Street Journal. Entretanto, um dia depois, ele voltou atrás e afirmou que a reestruturação da dívida grega que está nas mãos de credores públicos é impossível.

As mensagens divergentes enviadas por Schäuble durante as reuniões em Paris e Bruxelas chegaram a levantar esperanças de que haveria um acordo entre os credores da Grécia sobre como restaurar a solvência da dívida do país.

Schäuble é geralmente visto como um dos membros mais pró-europeus do gabinete da chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Na reunião de segunda-feira em Paris, na qual se encontrou com os ministros de Finanças da França, Itália e Espanha, o ministro alemão levantou a possibilidade de os países da zona do euro perdoarem, no futuro, parte dos quase 200 bilhões prometidos para a Grécia. O ministro disse a seus colegas que qualquer redução gradual na dívida grega poderia ocorrer somente a partir de 2015, e desde que o governo da Grécia tenha implementado todas as reformas econômicas prometidas e os cortes nos orçamento.

Mas no dia seguinte, durante uma reunião do grupo dos 17 ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), Schäuble voltou atrás nessa proposta de aceitar perdas com os empréstimos para a Grécia. Segundo as fontes, ele afirmou que a redução na dívida grega deveria ser atingida por meio da redução nos juros cobrados nos empréstimos fornecidos ao país, a recompra de bônus que estão nas mãos de credores privados ou mesmo o fornecimento de mais dinheiro para o país.

Isso foi uma surpresa para os ministros que tinham participado do encontro com Schäuble no dia anterior, segundo uma das fontes com conhecimento das discussões, que tinham avaliado a fala do ministro na véspera como "indício de um acordo" na questão do dilema da dívida grega. "Ele parecia bastante confortável com sua posição e nosso entendimento foi de que isso tinha sido aprovado por Merkel", afirma uma das pessoas. / DOW JONES NEWSWIRES

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