Ministro ameaça com tabelamento do gás de cozinha

O ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, disse que o governo poderá recomendar às empresas de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha) que pratiquem margens de distribuição e de revenda do produto em patamares "adequados", sob pena de o governo fixar um preço máximo para o consumidor. Segundo Gomide, há uma apreensão do governo quanto aos níveis praticados no comércio do gás de cozinha e, por isso, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) vai estudar medidas alternativas para o controle dos preços. Ele assegurou, no entanto, que, caso o governo venha a determinar um teto para o preço do gás, isso ocorreria por um prazo "extremamente limitado". "Nós estamos convencidos de que há um problema específico e temporário de preços que vêm sendo praticados, talvez de forma abusiva", disse Gomide. Segundo ele, aparentemente, a margem de distribuição e de revenda atualmente praticadas não compreenderam as mudanças na formação de preço do gás de cozinha. Ele esclareceu que a Petrobrás não usa mais a Parcela de Preços Específica (PPE) porque existe, hoje, o auxílio-gás, "que dá um alívio" para a população de baixa renda. "Nós esperávamos que a margem de revenda e a margem de distribuição não fossem alteradas", disse Gomide. "O preço de referência foi alterado porque o subsídio ficou mais transparente, e esses preços subiram muito, na opinião do governo". Daí porque, segundo o ministro, o governo deverá conversar com as empresas de distribuição, para que pratiquem margens que o governo considera adequadas. Ele diz que o governo acredita na prática de preços livremente formados. "Mas terá a disposição de intervir no mercado". "Naturalmente, o governo prefere não ter o estabelecimento de um preço máximo, porque arranha, de certa maneira, a filosofia que tentamos implantar", disse ele, adiantando que a proposta será preparada ao longo da semana que vem para ser apresentada na reunião do CNPE marcada para a primeira semana de agosto. Gomide disse que prefere que a decisão seja tomada na reunião a defini-la anteriormente, aguardando o referendo dos membros do CNPE. Questionado se se tratava de uma decisão política, ele reagiu assim: "Isto lhe garanto que não". O ministro ressaltou que a discussão de preço só se aplica ao gás de cozinha, não se estendendo ao diesel e à gasolina.

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