Ministro anuncia câmara setorial citrícola

O Ministério da Agricultura vai criar a câmara setorial da citricultura dentro do Conselho Nacional do Agronegócio (Consagro), para formular as políticas permanentes para o setor. O anúncio foi feito, sábado, em Bebedouro (SP) pelo ministro Roberto Rodrigues, durante encontro com produtores e pesquisadores. Para o ministro, dois fatores levaram-no a anunciar a criação do órgão e devem centralizar as discussões. O primeiro, numa crítica aberta à indústria de processamento, é a criação de regras de comercialização "para que não haja a manipulação do setor industrial sobre o produtor rural e que para que haja mecanismos que dêem dignidade a esse produtor", disse o ministro. Segundo ele, a mudança de cálculo para o pagamento da laranja ao produtor é o segundo fator a ser discutido na câmara setorial da citricultura. "Espero há anos que haja o pagamento pelo teor de sacarose da fruta, como já é feito na cana-de-açúcar, ao invés do pagamento pela caixa. Seria uma progressão no setor", disse o ministro. Ele afirmou ainda esperar que a câmara setorial seja a última intervenção do governo no setor, já que, segundo Rodrigues, "não é mais possível que o setor público resolva tudo. O modelo de governo paternalista acabou", completou. R$ 60 milhões para defesa e pesquisa agropecuáriaO ministro Roberto Rodrigues anunciou que o governo federal irá liberar, a partir deste mês, R$ 60 milhões do orçamento para a defesa e a pesquisa agropecuária. O setor citrícola deverá ser o primeiro a receber dinheiro. Segundo Rodrigues, nesta semana serão liberados R$ 3,078 milhões para a força-tarefa que combate a morte súbita dos citros. O valor corresponde a um terço do orçamento encaminhado ao Ministério da Agricultura pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, cujos pomares são ameaçados pela doença.O dinheiro será destinado ao Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e é mais da metade dos R$ 5 milhões a serem destinados ao Estado de São Paulo. "O restante será liberado no final de julho e de agosto. Com isso, a parcela de São Paulo fica atendida desta forma", disse Rodrigues. Ainda segundo ele, os demais R$ 4,5 milhões, para Minas Gerais e Paraná, virão apenas a partir de agosto.Ameaça de crise de abundância sem logísticaO Brasil pode enfrentar, a partir da próxima safra, uma "crise de abundância" caso o País não amplie sua rede logística para a estocagem e a escoagem dos produtos agrícolas. Segundo o ministro, caso a safra brasileira no próximo ano ultrapasse as 120 milhões de toneladas, o País corre o risco de não ter onde estocar o excedente alimentar. "Eu estou preocupado com essa abundância sem que haja a logística, pois a crise de abundância é pior do que o desabastecimento", disse. Rodrigues propôs ao setor privado que pressione as outras áreas do governo para que liberem investimentos à logística. "É preciso cobrar ações de outros ministérios e isso cabe ao setor privado, já que o governo não consegue resolver tudo", afirmou. Rodrigues afirmou que está tentando a liberação de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o programa de financiamento para armazenagem de grãos. Ele citou ainda como exemplo de parceria com o setor privado para a melhoria da logística, a ação feita entre o governo do Estado do Mato Grosso e agricultores, que estão investindo no asfaltamento de rodovias em troca do pedágio cobrado nelas.Safra 2004/2005 de cana-de-açúcar será 15% maiorA safra de cana-de-açúcar em 2004/2005 será 15% maior que a safra atual, segundo o ministro da Agricultura. Com isso, só na região Centro-Sul do País, serão mais de 40 milhões de toneladas a serem moídas, se consideradas as 280 milhões de toneladas previstas para este ano. Segundo o ministro, o aumento na produção viria principalmente do aumento da produtividade dos canaviais e menos com o aumento na área plantada. Ele espera que o excedente da produção seja destinado, em sua maior parte, para o álcool a ser exportado para países que iniciaram o uso do combustível na mistura à gasolina, com o Japão e até mesmo para os Estados Unidos. "Podemos ter um avanço muito importante na produção de álcool no ano que vem com o aumento na safra. Isso dá uma chance para exportar muito mais. Aliás, o álcool é a grande commoditie do século 21", afirmou o ministro.

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