REUTERS/ Miguel Lo Bianco
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Ministro argentino diz que é preciso esperar equipe de Bolsonaro assumir governo

Após Paulo Guedes afirmar que Mercosul não será prioridade no próximo governo, ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, afirmou que governo só trabalhará com fatos e decisões tomados por ministros empossados

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 14h38

O ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, afirmou  que o governo de Mauricio Macri só irá trabalhar com base em fatos e decisões tomados por ministros empossados pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

“Precisamos esperar que os ministros designados assumam seus cargos, comecem a trabalhar, tomem medidas e façam declarações oficiais. A partir de seus feitos e atos, vamos começar a trabalhar em conjunto”, disse ao Estado após ser questionado sobre o futuro do Mercosul e das relações comerciais entre Brasil e Argentina.

Na noite de domingo, 28, após Bolsonaro ser eleito, seu assessor econômico, Paulo Guedes, afirmou que o Mercosul não será prioridade do próximo governo. “Se eu só vou comercializar com Venezuela, Bolívia e Argentina? Não. Nós vamos comercializar com o mundo, serão mais países. Nós faremos comércio. E se eu quiser comercializar com outros países?”, disse.

O economista justificou que o foco de seu programa econômico será o controle de gastos e não o Mercosul. “É isso que você queria ouvir? Mercosul não será prioridade. A gente não está preocupado em te agradar. Eu conheço esse estilo”, disse Guedes, exaltado à repórter argentina do jornal Clarín.

Sica destacou que o governo Macri também tem uma agenda voltada à integração do país com o restante do mundo e acrescentou que a possibilidade de países do bloco econômico negociarem acordos bilaterais de livre comércio com terceiros de forma independente precisa ser discutida entre os membros. “O Mercosul tem negócios em conjunto e essa questão deve ser discutida no âmbito do Mercosul.”

Hoje, os membros do bloco precisam negociar acordos de preferências tarifárias com outros países de forma conjunta.

Para o ministro da Produção, porém, a mudança na Presidência do Brasil não deve alterar a negociação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, em discussão há 20 anos e em fase final de elaboração. Sica disse que o tratado poderia ser fechado na próxima reunião do G-20 – que reunirá os chefes de Estado das 20 maiores economias do mundo –, marcada para 30 de novembro e 1º de dezembro em Buenos Aires.

“Continuamos trabalhando com o governo do Brasil. Respondemos todos os questionamentos da União Europeia e temos de aproveitar a oportunidade do G-20 para alcançar um acordo.”

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