Ministro brasileiro critica reação europeia à crise

Mantega cobra mais rapidez das autoridades da zona do euro para resolver os problemas do sistema financeiro

PARIS , O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h05

Em seu primeiro encontro oficial com o ministro da Economia da França, Pierre Moscovici, em Paris, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, não se furtou a disparar críticas contra a gestão da crise pelos governos da Europa.

Mergulhados na instabilidade macroeconômica desde 2008 e na turbulência das dívidas soberanas desde 2010, os países europeus foram repreendidos pelo executivo brasileiro, que pediu rapidez na criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e da nova supervisão bancária, que ficará a cargo do Banco Central Europeu (BCE).

As críticas foram feitas à imprensa internacional, em francês e ao lado de Moscovici. Mantega abriu sua intervenção destacando os temas discutidos na reunião bilateral e começou expondo suas restrições à gestão na crise na Europa.

Reconheceu que "avanços estão acontecendo" na zona do euro para resolver o "problema financeiro, que impede o crescimento", mas foi direto ao ponto. "Creio que é preciso resolver mais rapidamente", disparou. "É preciso implantar os mecanismos da supervisão bancária o mais rapidamente possível, para que ele funcione em breve e viabilize uma segunda etapa, que é o crescimento. Precisamos relançar o crescimento europeu e mundial, que são afetados pela crise."

Minutos depois, já sem Moscovici ao lado, repetiu algumas das críticas. "Eles estão caminhando para alguma solução na questão financeira, que é a mais crucial. Se há quebras de bancos, não conseguiremos resolver os outros problemas. Mas é preciso se apressar, porque parece que nem todos os países estão interessados no mecanismo de estabilidade. Nem mesmo a supervisão bancária vai começar a funcionar tão logo", reclamou.

Mantega demonstrou ansiedade no que diz respeito às possíveis intervenções do BCE no mercado secundário dos títulos de dívidas públicas. "O BCE já anunciou a compra de bônus, mas só entrará em vigor quando essas questões forem resolvidas", disse ele, referindo-se mais uma vez ao MEE e à supervisão dos bancos.

Questionado se, diante da desvalorização do dólar no mundo, recomendaria ao Banco Central que adquirisse euros - uma moeda em crise - para as reservas, o ministro sorriu e brincou. "Não é fácil hoje decidir qual moeda comprar, porque nas duas estamos perdendo dinheiro", reiterou. "A melhor aplicação seria investir em reais, mas isso nós não podemos fazer." / A.N.

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