Ministro briga com os números para sustentar discurso

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem vivido a clássica situação de ser mais realista que o rei. Ele vem brigando com os dados para sustentar o discurso de que a economia brasileira terá um resultado melhor este ano do que as projeções de mercado.

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h06

Mantega começou o ano bancando que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria 4,5% em 2012. A primeira revisão oficial só veio no fim de maio, quando o ministro projetou 4%. De lá para cá, o Ministério da Fazenda tem resistido em divulgar novas estimativas, apesar de o Banco Central e o Ministério do Planejamento já terem números mais baixos.

O primeiro sinal de flexibilização veio com a adoção do discurso de que o crescimento ficaria entre 3,5% e 4%. Mas foi em entrevista exclusiva ao 'Estado' que, pela primeira vez, Mantega admitiu que o crescimento seria menor. A partir daí, o ministro passou a dizer que a expansão da atividade este ano seria maior que os raquíticos 2,7% de 2011. Agora, já abandonou este discurso e se restringe a afirmar que a economia estará "rodando" a um ritmo de 4% no fim do ano.

Mantega chegou a ironizar as projeções divulgadas em junho pelos economistas do banco Credit Suisse, que reduziram de 2% para 1,5% a previsão de crescimento em 2012. "É uma piada. Vai ser muito mais que isso", disse o ministro à época. As projeções do mercado financeiro, medidas pelo boletim Focus do BC, estão em 1,75%. / R.V. e C.F.

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