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Ministro chama política econômica de Dilma de 'keynesianismo vulgar'

Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, ministro Mangabeira Unger criticou duramente as medidas adotadas no primeiro mandato da presidente

RAFAEL MORAES MOURA, Estadão Conteúdo

09 de abril de 2015 | 21h09

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, fez nesta quinta-feira, 9, duras críticas à política econômica conduzida no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Na avaliação do ministro, o modelo anterior de crescimento, ancorado na expansão de crédito, consumo e renda, "exauriu o seu potencial".

"O recurso às políticas contracíclicas, ao keynesianismo vulgar, adiou o dia da conta e do castigo, mas acabou apenas por agravar o problema que agora temos de resolver: agora, sim, precisa de um ajuste, mas precisamos compreender qual ajuste", disse o ministro, durante a cerimônia de posse do novo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jessé de Souza.

"(Esse modelo) não serve mais como nosso caminho de avanço. Não é apenas porque o dinheiro fácil escasseou no mundo e porque os preços das commodities baixaram e porque a economia chinesa desacelerou. É sobretudo porque esse modelo não conseguiu prover a nação dos instrumentos necessários para a sua energia empreendedora e inovadora, conviveu com a baixa produtividade em nossa economia", criticou.

Em seguida, Mangabeira defendeu o ajuste fiscal promovido pela presidente Dilma sob o argumento de que as medidas são necessárias para que o Brasil não fique "de joelhos" diante dos "interesses financeiros".

"O ajuste é necessário para não depender da confiança financeira, para que o Estado e o País não fiquem de joelhos diante dos interesses financeiros, para reafirmar o poder estratégico do Estado na construção de um novo projeto", disse.

Para Mangabeira Unger, o ajuste "não é uma agenda", é a "mera preliminar de uma agenda". "A agenda de enfatizar a produção e a oferta, e não mais apenas o consumo e a demanda. A diferença fundamental entre democratizar a economia do lado da demanda e democratizá-la do lado da oferta é a seguinte: a democratização do lado da demanda se pode fazer só com dinheiro, a democratização do lado da oferta exige transformação estrutural, inovação nas instituições, inclusive nas instituições que definem a economia de mercado", afirmou o ministro.

Escalado pela presidente Dilma Rousseff para elaborar um plano voltado para a área de educação, Mangabeira Unger disse que o novo projeto nacional é "produtivista e capacitador". "Não é um nacional consumismo, é o produtivismo includente, acompanhado por uma revolução na educação pública", ressaltou.

Posse. Em um curto discurso, o novo presidente do Ipea, Jessé de Souza, disse que a atuação do instituto é "ainda mais decisiva" considerando o "atual momento brasileiro".

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