Ministro culpa defesa por adiamento da extradição de Cacciola

Tarso diz que a advogada de Cacciola fez uma "legítima manobra dilatória" ao impugnar a versão para o francês

Wilson Tosta, da Agência Estado,

07 de dezembro de 2007 | 16h30

O ministro da Justiça, Tarso Genro, atribuiu nesta sexta-feira, 7, a uma manobra da defesa do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso em Mônaco - e não a erros de tradução - a decisão do Tribunal de Apelações monegasco de adiar pela terceira vez a sentença sobre o pedido do governo brasileiro de extradição do réu, tomada na Quinta-feira. Segundo Tarso, a advogada de Cacciola fez uma "legítima manobra dilatória" ao impugnar a versão para o francês dos documentos em português que instruem o pedido de devolução, ao Brasil, de Cacciola, condenado por fraudes no escândalo do Banco Marka e detido em Monte Carlo depois de usar sua nacionalidade italiana para viver os últimos anos refugiado na Itália. O ministro reconheceu, contudo, dúvidas sobre algumas palavras. "A tradução, por exemplo, da palavra peculato, que não existe dentro do sistema de Mônaco, provavelmente tem outro nome", destacou. Tarso assumiu a defesa pública dos profissionais que traduziram a papelada para o francês. "A tradução foi feita por tradutores juramentados, que sempre fizeram as traduções de documentos do País", destacou o ministro, que na quinta se encontrou com o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), para assinar a adesão do município ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). "Agora, no Estado de direito é assim, os advogados de defesa têm direito de fazer postergações." Para o ministro, enquanto Cacciola estiver preso, esperando a decisão, tudo está bem; o resto, destacou, depende do ritmo da Justiça de Mônaco, que o governo do Brasil tem de respeitar. Ele disse que não houve solicitação de nova tradução ao País. "Se formos solicitados, vamos apresentar", declarou. "A nossa tradução, repito, feita por tradutores, técnicos de alto nível, juramentados, que nunca receberam nenhuma impugnação nas relações internacionais. Receberam agora, como uma manobra da defesa, para tentar dilatar (os prazos), e certamente os advogados estão prevendo que aquela visão da promotora vai ser acolhida pelo Tribunal de Mônaco." Na opinião do ministro, pelas decisões tomadas até agora pela Justiça monegasca, não há perigo de que o ex-banqueiro seja solto. "Mas não podemos prever como o tribunal de Mônaco vai interpretar a sua própria legislação", disse ele.

Tudo o que sabemos sobre:
Cacciola

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.