Ministro culpa eleições e seca por redução de postos de trabalho em outubro

Ministro culpa eleições e seca por redução de postos de trabalho em outubro

Ministro Manoel Dias aponta 'campanha renhida' e crise hídrica em São Paulo como razões para o saldo negativo no Caged em outubro

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2014 | 12h37

SALVADOR - O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, apontou as eleições e a crise hídrica de São Paulo como os principais responsáveis pelo resultado negativo na geração de empregos no Brasil em outubro. De acordo com ele, a campanha eleitoral "muito renhida" e os problemas causados pela seca inibiram investimentos e consumo no País.

As razões apontadas responderam por "boa parte" do saldo negativo de 30.283 postos de trabalho no mês apontado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), segundo o ministro. Este é o pior resultado para outubro desde 1998, quando houve saldo negativo de 64.093 empregos, de acordo com o ministério.

"Como tivemos um debate muito renhido na campanha eleitoral, muita gente deixou de fazer investimentos para esperar passar as eleições para ver como ficava", argumentou Dias. "A seca também teve papel importante nesses dados, o que pode ser percebido pelo desempenho de São Paulo na pesquisa. Sozinho, o Estado teve redução de mais de 20 mil (21.886) postos de trabalho, dos 30 mil de todo o levantamento."

Apesar das justificativas, que foram acrescidas da crise econômica internacional, o ministro se disse "surpreso" com o resultado negativo - o mercado financeiro previa crescimento de 56.250 vagas no indicador. De acordo com ele, o governo esperava que as reduções causadas pelos fatores citados fossem compensadas pelas contratações temporárias, comuns no fim de ano. 

"As demissões foram feitas, mas as contratações acabaram ficando para depois", argumentou. "Esperamos que no mês que vem sejamos contemplados com os contratos de trabalho temporário."

Dias admitiu que o governo pode não alcançar a meta de criação de postos de trabalho prevista para este ano, de 1 milhão de empregos, mas disse não estar preocupado com uma possível onda de demissões que possa estar se iniciando. "A economia mundial não se recuperou como se esperava, mas seguramente vamos nos recuperar, o governo não vai abrir mão de dar prioridade a ações e medidas que garantam a geração de empregos e a valorização dos salários", disse. 

O ministro ressaltou que, apesar do resultado de outubro, o saldo do mercado formal de trabalho em 2014 segue positivo, com 912.287 empregos gerados. "Seguimos em situação de pleno emprego no Pási, não podemos projetar a criação de 200 mil postos, porque não teríamos mão-de-obra para ocupá-los."

O anúncio dos dados do Caged foi feito em Salvador, onde Dias participou da abertura da a 93ª reunião do Fórum Nacional dos Secretários de Trabalho (Fonset). De acordo com ele, a opção por escolher a capital baiana para fazer o anúncio foi "também uma forma de homenagear o Nordeste", que vem apresentando saldos de criação de postos de trabalho superiores à média nacional "desde meados do ano passado". 

A Bahia, porém, foi o terceiro Estado que mais perdeu empregos em outubro no País, com 6.207 postos a menos, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais (8.331 empregos a menos).

Tudo o que sabemos sobre:
CAGEDempregoMinistério do Trabalho

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.