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Ministro da Agricultura pede demissão

O ministro da Agricultura Roberto Rodrigues anunciou sua demissão do governo, após três anos e seis meses de sucessivos embates com o Poder Executivo e a área econômica do governo. No entanto, apesar das rusgas, o ministro negou que sua saída tivesse motivação política, afirmando que deixa o cargo por considerar sua missão cumprida.O pedido de demissão foi feito na terça-feira à noite, durante jantar com o presidente Lula, no Palácio da Alvorada. De acordo com o ministro, durante o jantar, ficou acertado um novo encontro para sexta-feira, quando seria discutida a data de sua saída do governo. Durante uma entrevista coletiva realizada na tarde desta quarta-feira Rodrigues leu nove pontos do seu discurso de posse que, segundo ele, eram os seus objetivos à frente do ministério. A intensificação da relação do ministério com setores de classe, a promoção comercial dos produtos agrícolas, o melhoramento do mecanismo de estocagem de produtos, a certificação para a rastreabilidade e a recomposição dos estoques públicos, além da legislação sobre seguro rural estavam entre eles.O ministro disse fazia parte de sua filosofia ao assumir o ministério dar à agricultura uma participação mais efetiva nas negociações internacionais. "O que é relevante e que eu quero mostrar para vocês é que o meu discurso de posse foi inteiramente atendido".Rodrigues afirmou que "não existe componente político" na sua saída do governo. Ele lembrou não ter ligação partidária e desmentiu, dessa forma, rumores de que sua demissão poderia ter motivos eleitorais. O ministro também negou que sua saída tenha sido motivada por problemas de saúde em sua família. "O problema de saúde que existe na minha família é muito mais velho do que a minha presença no ministério. Eu vim para cá com ele", disse o ministro. Os comentários são de que Rodrigues teria pedido demissão porque o estado de saúde de sua mulher, Heloísa, teria se agravado.Morte anunciadaA notícia da saída de Rodrigues acabou sendo ventilada pela imprensa. "Esse vazamento acabou me desarmando, pois sequer a minha equipe sabia", disse Rodrigues. A demissão de Rodrigues, ao mesmo tempo em que surpreende sua assessoria, é uma morte anunciada desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rodrigues foi convidado a ser ministro numa situação tão inusitada quanto foi a permanência na administração federal até hoje. Na época, o então agricultor bem-sucedido e referência no setor agrícola deixou claro que não era petista, que não tinha votado em Lula e que, portanto, a gestão à frente do ministério seria de defesa intransigente do setor que representava. Essa autodefinição prevaleceu e ele, ao longo desses quase quatro anos de governo, enfrentou sucessivas crises com o Poder Executivo e a área econômica. As dificuldades com o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci e agora com o atual ministro, Guido Mantega, têm a mesma linha: o excessivo contingenciamento dos recursos destinados à agricultura. O ministro, apesar dos embates com Palocci, sentiu na pele o afastamento dele. Palocci, segundo fontes do setor, oferecia resistência às investidas do ministro da Agricultura por mais verbas, mas mantinha aberto o diálogo.A mudança de comando na economia reforçou uma postura contra a qual sempre se rebelou - a visão de que o setor é oportunista e caracterizado por empresários que não gostam de pagar as dívidas. "O governo PT começou com a saída do Palocci", reagiu hoje um empresário. Rodrigues argumentou com o presidente questões de saúde da mulher dele, Heloisa Rodrigues, mas, no Executivo, é comentário corrente hoje que "ninguém acredita nisso". "Todo mundo sabe que não é isso", disse um assessor palaciano.Ao longo desses três anos e 6 meses à frente da pasta, o ministro enfrentou os sucessivos cortes e atrasos no repasse de recursos para o financiamento da safra e a ineficiência de uma política agrícola sem foco na ação preventiva. Por isso, as dificuldades na área de defesa sanitária e o retorno da febre aftosa. No Congresso, Rodrigues não constituiu "a bancada do Rodrigues", embora os ruralistas parlamentares preferissem tê-lo como ministro a um político do PT, motivados por um sentimento pragmático: a gestão petista cultivava a simpatia pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pelas invasões das propriedades rurais e não pelos agricultores. O ministro deixa a administração federal com o sentimento de que a permanência "evitou o pior" para a agricultura. A partir de agora, Lula passa a conviver com a vulnerabilidade numa área sensível porque, segundo técnicos, existe uma crise agrícola prenunciada, exatamente pela escassez de dinheiro dos últimos anos. Rodrigues brigava nos bastidores - e até publicamente - pelos agricultores e, dessa forma, conseguia conter os ânimos daqueles que trabalhariam, dentro do Palácio do Planalto, para comprometer a imagem do setor. A saída dele, às vésperas do início da campanha eleitoral, não é boa para o Planalto, apesar de ter anunciado, recentemente, que não ficaria num segundo mandato do presidente, de jeito nenhum. Mas coincide com o início de uma negociação política de apoio da bancada ruralista à reeleição.Reuniões desmarcadasRodrigues ligou no começo da tarde para o deputado federal Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP) para desmarcar uma audiência que tinha com o parlamentar às 13h30. Fleury Filho informou que o ministro disse que estava desmarcando a audiência porque tinha pedido demissão do cargo, alegando razões pessoais. A mulher do ministro, Eloísa, está doente há algum tempo e os filhos de Rodrigues cobram que ele permaneça mais tempo junto da família. "O motivo do pedido de demissão foi familiar", comentou.A Organização Mundial do Comércio (OMC) informou que o ministro cancelou a sua participação na reunião do Grupo de Cairns que seria realizada nesta quinta-feira, em Genebra. O grupo de Cairns reúne os países exportadores agrícolas.Este texto foi atualizado às 18h51.

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