Ministro da Bolívia diz que Petrobras poderá não ser indenizada

Horas antes de sentar-se à mesa com os negociadores brasileiros, em La Paz, o ministro de hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, fez duras críticas à Petrobras em entrevista à imprensa, afirmando que pode não indenizar a empresa, que perdeu seus ativos no processo de nacionalização das reservas de petróleo e gás. Perguntado se temia a saída da Petrobras de seu país, Rada afirmou: "A Petrobras é que deve temer, não nós".Esta foi a primeira vez que o ministro de hidrocarbonetos falou claramente que as petroleiras podem não ser indenizadas, embora a afirmação já tenha sido feita por pessoas do governo de menor escalão. "Não sabemos ainda se vamos ou não indenizar as petroleiras", disse incluindo a Petrobras. Rada afirmou que primeiro o governo vai ter de saber se, no processo de privatização, as empresas pagaram um preço justo pelas refinarias. Isso porque, segundo ele, naquele momento não se levou em conta a quantidade de hidrocarbonetos que havia reservado nas unidades.A presença das forças armadas nas refinarias, tão criticada pelo governo brasileiro, foi justificada pelo ministro como uma forma de garantir abastecimento e evitar sabotagens. "Não há melhor garantia de abastecimento do que a presença das forças armadas", disse. Segundo ele, o Brasil sabe que não haverá racionamento do gás porque, desde o dia que o decreto foi anunciado, em 1º de maio, ele telefonou para o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, dando essa garantia.Preço do gásO aumento de preço do gás natural exportado pela Bolívia para o Brasil não acontecerá por decisão unilateral, garantiu Soliz Rada. "Se hoje cobramos US$ 3,80 não significa que vamos subir o preço amanhã para US$ 5 ou US$ 7", comentou ao falar da intenção do governo de Evo Morales em aumentar o preço do gás natural em US$ 2 por milhão de BTU. Rada ressaltou que existe um contrato e que ele será negociado.A reunião que discutirá um novo preço para o gás natural e a indenização da Petrobras pela perda de seus ativos no processo de nacionalização começou por volta das 19h (horário de Brasília), no Hotel Camino Real. Na mesa de negociação, com 14 lugares, estarão presentes também advogados para dar assessoria às questões legais levantadas nos últimos dias pelas duas partes.

Agencia Estado,

10 de maio de 2006 | 19h04

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