Wilson Dias/Agência Brasil
Wilson Dias/Agência Brasil

Gasto público dobrou como proporção do PIB entre 1991 e 2016, diz Meirelles

De acordo com o Ministro da Fazenda, governo está tomando uma série de medidas para reverter esta tendência e contas externas deixaram de ser um problema

Altamiro Silva Junior e Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2017 | 18h37

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que de 1991 a 2016 o gasto público brasileiro como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) dobrou e o governo está tomando uma série de medidas para reverter esta tendência. "A reforma da Previdência deve ser votada neste semestre", disse, durante palestra nesta terça-feira, 8, em evento da Fenabrave, entidade que representa as concessionárias de veículos.

Meirelles destacou em sua apresentação a agenda de reformas estruturais que o governo está tocando, com destaque para a da Previdência, e ressaltou ainda a agenda de microrreformas. Estas últimas têm como objetivo elevar a produtividade e a competitividade das empresas e melhorar o ambiente de negócios.

Com o teto de gastos públicos e a reforma da Previdência, Meirelles observou que a despesa primária total, ao invés de subir para 25% do PIB nos próximos anos, deve subir para 15%. "Isso faz diferença enorme", ressaltou.

Ao falar da reforma trabalhista, Meirelles citou o exemplo da Alemanha e ressaltou que naquele país havia o temor, antes de se implantarem as reformas das regras do mercado de trabalho, de que aumentaria o desemprego. Mas na prática não foi isso que ocorreu e houve criação de postos de trabalho.

Meirelles ressaltou que a economia brasileira vai entrar em 2018 crescendo no ritmo de 3% e que o desemprego já reverteu tendência de alta. "O emprego reage um pouco defasado em relação à economia. O mais importante é que (a taxa de desemprego) começou a cair."

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Por causa dessa defasagem, o ministro observou que para a população começar a perceber essa melhora ainda vai levar um tempo. "Vamos começar a ver isso devagar."

A taxa básica de juros, a Selic, já caiu bastante e já houve reflexo na redução dos juros bancários ao tomador final, destacou o ministro, citando a queda do spread. "A queda da inflação abre possibilidade de o Banco Central cortar ainda mais os juros."

Análise. O ministro afirmou também  que um país quebra quando falta moeda externa. Este, porém, não é o caso brasileiro no momento, que alcançou nível extraordinário de reservas internacionais e cujas contas externas estão "bastante sólidas" e deixaram de ser um problema, disse.

"Prefiro enfrentar uma crise com um pouco de caixa do que a zero, sem reservas", afirmou, aproveitando para relembrar momentos em que ele estava no comando do Banco Central e a situação nas contas externas era bastante diferente da atual. Hoje, lembrou o ministro, o País tem US$ 380 bilhões de reservas.

Na época em que estava no BC, Meirelles lembrou que o déficit da conta de transações correntes batia em 6% do Produto Interno Bruto (PIB). No final de 2016, estava em 1,3% e seguiu caindo em 2017. Além disso, o Investimento Direto no País (IDP) vem crescendo e, com o déficit de conta corrente encolhendo, há um fluxo positivo de dólares para o País. A economia fica equilibrada quando o déficit em transações correntes é menor o igual ao IDP, destacou ele, citando também a melhora das exportações.

Meirelles também falou da recuperação da atividade econômica em sua palestra. Vários setores da economia estão mostrando "clara recuperação", observou Meirelles, citando, entre eles, o de vestuário, o têxtil e de fabricação de produtos de informática. Em comum, estão o fato destes segmentos terem atingindo um piso com a recessão de 2015 e 2016 e agora engatam "recuperação forte e constante".

"Emplacamentos de veículos também vêm se recuperando", disse Meirelles ao falar da indústria automobilística. O ministro ressaltou ainda que a produção e venda de automóveis estão reagindo.

Ele iniciou seu discurso falando dos efeitos da crise política na economia e ressaltou que os juros de longo prazo estão caindo, depois de piora aguda. Ele ressaltou que a piora destas taxas longas em maio, em meio à turbulência deflagrada pela delação da JBS, acabou se mostrando curta.

Ainda na palestra, o titular da Fazenda destacou a queda do endividamento das empresas, após registrar forte expansão até 2016. "O crescimento está ocorrendo enquanto empresas pagam suas dívidas."

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