Ministro das Finanças do Japão promete agir contra alta do iene

‘Nós agiremos apropriadamente com base na essência do comunicado do G-7’, disse Noda

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

24 de agosto de 2010 | 09h41

O ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, prometeu agir "de forma apropriada" contra a valorização do iene em linha com os princípios do G-7, logo após o dólar atingir a mínima em 15 anos em relação à moeda japonesa, de 84,15 ienes. "Nós agiremos apropriadamente com base na essência do comunicado do G-7", afirmou Noda, durante entrevista a jornalistas.

O G-7 não emitiu seu comunicado usual nas duas reuniões realizadas neste ano, mas em um encontro, ocorrido em Istambul em outubro de 2009, o grupo divulgou uma declaração afirmando que o excesso de volatilidade e os movimentos desordenados nas taxas de câmbio têm "implicações adversas para a economia e para a estabilidade financeira". O G-7 também prometeu na ocasião "continuar a monitorar de perto os mercados de câmbio e a cooperar, caso necessário.

O tom das declarações do ministro foi um pouco mais forte que o usado anteriormente. No dia 12 de agosto, Noda mencionou a possibilidade de uma ação, mas não invocou a posição do G-7 sobre as moedas.

A leve mudança na retórica do ministro das Finanças destacou as elevadas preocupações em Tóquio em relação aos efeitos que a valorização do iene poderá ter sobre a lenta recuperação da economia do país. Mas poucos traders acreditam que o Japão intervirá em breve para enfraquecer artificialmente a moeda.

Antes de falar a jornalistas sobre a possibilidade de uma ação apropriada em relação à valorização do iene, Noda realizou uma coletiva de imprensa de emergência no início do dia, na qual repetiu que iria "monitorar os movimentos do mercado com grande interesse e com extremo cuidado", mas se absteve de comentar sobre as possibilidades de uma intervenção no câmbio. O ministro também descreveu que a recente tendência de alta do iene em relação ao dólar e ao euro é "unilateral" e pediu medidas para combater a excessiva volatilidade e os movimentos desordenados das taxas de câmbio.

As declarações de Noda reforçaram a especulação de que o Japão não adotará nenhuma medida para conter a alta do iene.

As novas observações indicam que o ministro afinou o tom de seus comentários depois de ver o impacto de sua própria entrevista sobre a alta do iene - que alcançou a máxima em 15 anos em relação ao dólar. Mas a modificação súbita nas declarações de Noda, que tem pouca experiência na condução da política monetária, apenas confundiu os players do mercado.

A forma desordenada do ministro para transmitir suas mensagens sobre o câmbio ao mercado está anulando o objetivo das declarações, destacaram traders.

Segundo Minoru Shioiri, um dealer sênior da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities, o ministro quer mostrar que o governo poderá tomar uma medida contra a alta do iene, mas seus comentários sobre o G-7 "vieram muito tarde para convencer o mercado".

O presidente da Tokyo Stock Exchange (TSE, a bolsa de valores do Japão), Atsushi Saito, disse que o governo deveria agir para aliviar as preocupações sobre o fortalecimento cada vez maior do iene. "Pessoalmente, eu não gosto da ideia de uma intervenção no câmbio, mas o governo precisa agir para interromper a agitação do mercado, afirmou o executivo em uma entrevista coletiva.

"É importante que o governo sinalize que tem meios para intervir quando necessário. Agora, há a impressão de que não haverá intervenção, independente do que aconteça", acrescentou Saito. "A direção do mercado cambial não deve ser determinada pelas forças do mercado".

Se as práticas passadas das autoridades japonesas servirem de indicação, a retórica de Noda poderia significar que o país ainda não está pronto para intervir com o objetivo de vender ienes, a última medida tomada no segundo trimestre de 2004. Seus antecessores usaram o termo "ação apropriada" para sinalizar que o Ministério das Finanças estava estudando pedir ao Banco do Japão (BOJ) para intervir no câmbio, mas antes que isso realmente acontecesse, os ministros anunciaram passos "decisivos" para mostrar sua seriedade.

Uma visão comum no mercado é a de que o Japão não deverá tentar interromper a alta do iene sem a aprovação dos Estados Unidos e das principais nações europeias. Os participantes do mercado não acreditam, contudo, que esses países autorizarão a intervenção, tendo em vista a fraqueza de suas próprias economias.

A desvalorização do iene em relação ao dólar e ao euro beneficiará os exportadores japoneses, mas afetará as indústrias de manufatura dos Estados Unidos e da Europa que competem com os fabricantes do Japão no mercado mundial. As declarações de Noda sobre os princípios do G-7 tiveram aparentemente pouco efeito para dispersar tal especulação. As informações são da Dow Jones.

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