Ministro das Finanças grego renuncia; crise se aprofunda

O novo ministro das Finanças da Grécia renunciou por problemas de saúde nesta segunda-feira, afetando os esforços do governo para amenizar os termos de um resgate internacional dias antes de uma cúpula europeia.

HARRY PA, REUTERS

25 de junho de 2012 | 14h50

Vassilis Rapanos, 64, presidente do Banco Nacional da Grécia, foi levado às pressas para o hospital na sexta-feira, antes de tomar posse, reclamando de dores abdominais, náusea e tontura. A mídia grega disse que ele tem um histórico de problemas de saúde.

O gabinete do primeiro-ministro, Antonis Samaras, que assumiu na quarta-feira passada depois da eleição de 17 de junho, disse que Rapanos enviou uma carta de demissão por problemas de saúde e que ela foi aceita.

O próprio Samaras acabou de sair do hospital depois de se submeter a uma cirurgia ocular para reparar uma retina lesionada. Ele e Rapanos já tinham anunciado que não poderiam comparecer à cúpula europeia de 28 e 29 de junho.

Foi um início caótico para o novo governo, formado após a segunda eleição em um mês, que enfrenta um caminho turbulento na resposta à enorme oposição doméstica a um duro resgate internacional frente a uma oposição europeia decidida contra qualquer amenização de seus termos.

Poucas horas depois da renúncia de Rapanos, um boletim médico informou que ele teria alta na terça-feira. Ele foi submetido a uma colonoscopia e a uma gastroscopia, disse à Reuters um funcionário do Hospital Hygeia, pedindo anonimato. Os exames "mostraram que tudo está completamente normal", dizia o boletim.

Segundo uma fonte de um dos três partidos na nova coalizão governista, Rapanos estava sob forte pressão de seus parentes para recusar o emprego estressante por causa de seus problemas de saúde.

Mais cedo na segunda-feira, os líderes dos três partidos anunciaram uma viagem para tentar persuadir credores céticos a lhes dar mais tempo para pagar a maciça dívida do país.

VISITA DA TROIKA ADIADA

Os problemas médicos de Samaras e Rapanos também forçaram um adiamento do primeiro encontro entre o novo governo e a "troika", formada por credores internacionais, agendada originalmente para segunda-feira.

O governo de Samaras, uma aliança improvável de direita e esquerda que surgiu da eleição de 17 de junho, prometeu a gregos furiosos que iria amenizar os termos punitivos de um pacote de resgate que os salvou da bancarrota em troca de forte sofrimento econômico.

Mas a Alemanha rejeitou grandes concessões.

(Reportagem adicional de Lefteris Papadimas, George Georgiopoulos e Tatiana Fragou)

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