Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

Ministro de Minas e Energia culpa clima por crise hidrológica no País

Bento Albuquerque disse, porém, que existe governança e organização no setor elétrico para evitar racionamento; ele apontou ainda a importância de equilibrar as fontes de energia

Wilian Miron, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2021 | 05h00

O ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, disse que a crise hidrológica pela qual o Brasil passa é decorrência das mudanças climáticas, mas que existe governança e organização no setor elétrico para enfrentar esse momento com serenidade.

Albuquerque também comentou que é necessário buscar o equilíbrio e a complementaridade entre as diversas fontes de energia que compõem a matriz elétrica brasileira, como forma de evitar ou mitigar os efeitos da escassez hídrica. “Temos recebido sinais de colaboração de todos os agentes, seja do campo jurídico, político e do setor elétrico, e temos todos os elementos para superá-la”, disse durante participação no Fórum de Investimentos Brasil 2021, organizado pela Apex-Brasil, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com o governo federal.

O ministro disse que o Brasil continuará investindo na expansão de sua matriz elétrica nos próximos anos, como forma de suportar o crescimento econômico do País. Sem precisar um período no qual essa expansão acontecerá, disse que os investimentos no crescimento do setor serão próximos a R$ 400 bilhões. “Vamos continuar tendo expansão da nossa matriz energética muito grande nos próximos anos, particularmente na matriz elétrica.”

A crise hídrica à qual o ministro se refere é a falta de água nos reservatórios das hidrelétricas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por aproximadamente 70% da capacidade de armazenamento para geração de energia do País.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as represas dessa região devem encerrar o mês com 32,19% de capacidade, e a expectativa é que cheguem ao final de junho com 28,9%. Como forma de garantir o abastecimento do sistema, os órgãos reguladores pretendem aumentar o uso de geração térmica, mais cara, e a importação de energia da Argentina e do Uruguai

Mais tarde, à GloboNews, o ministro disse ainda que a situação vem sendo monitorada desde o ano passado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo ele, estão sendo feitas campanhas para uso racional de energia e de água. "Nossa preocupação maior é o monitoramento do setor de energia para que nós tenhamos segurança energética, com custos compatíveis para os consumidores. Esse é o equilíbrio que tem que ser feito", disse. 

"Acreditamos que com as medidas que estão sendo adotadas, nós teremos a segurança necessária para passar por esse período. É importante dizer que nós tivemos problemas semelhantes em 2001 e em 2015, mas a situação hoje é completamente diferente", afirmou. 

Cobrança

Ainda ontem, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que o Congresso aprovou diversas propostas relacionadas à área de energia nos últimos anos e cobrou do governo “que faça a sua parte”. “Quero dizer que o Congresso Nacional contribuiu com tudo para o Ministério de Minas e Energia”, afirmou, citando a Medida Provisória (MP) 998, o novo marco do setor elétrico (PLS 232/2016, hoje tramitando na Câmara como PL 414/2021) e o projeto que permitiu a repactuação do risco hidrológico. Na semana passada, Pacheco criticou o governo e acusou o Executivo de não planejar o futuro do setor elétrico de forma adequada. /COLABORARAM ANNE WARTH, MARLLA SABINO PEDRO CARAMURU

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.