DIda Sampaio/Estadão
De acordo com o ministro, sistema de abastecimento do País em 2001 não era interligado como hoje. DIda Sampaio/Estadão

Ministro de Minas e Energia diz que Lira se confundiu ao comparar atual crise hídrica com a de 2001

Na crise de vinte anos atrás, população e empresas foram obrigadas a diminuir o consumo de energia em 20%, para evitar um possível apagão

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 22h53

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse nesta quarta-feira, 16, que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), se confundiu ao comparar a crise hídrica que o País enfrenta neste ano com a de 2001, quando a população e as empresas foram obrigadas a diminuir a carga em 20% para evitar um apagão. Albuquerque voltou a falar que a situação atual é completamente diferente.

Ontem, Lira se reuniu com Albuquerque para discutir ações que estão sendo tomadas para enfrentamento da crise hídrica, a pior já registrada em 91 anos. Após a reunião, o deputado não foi claro sobre as perspectivas de abastecimento e afirmou que “vai ser mais ou menos parecido com o que aconteceu em 2001”, ano em que o País impôs restrições ao consumo de energia.

“Ele fez comparações porque eu disse que tudo está sendo analisado, estudado, o que ocorreu em 2001, o que ocorreu em 2014 [quando houve uma seca severa, mas não teve racionamento],para termos um planejamento. Temos mais de 25 ações, algumas já implementadas, outras em implementação e outras que serão implementadas se necessário. Talvez no uso das palavras ele não tenha se expressado no que conversamos durante a manhã”, disse Albuquerque em entrevista à CNN.

De acordo com o ministro, em 2001 o País não contava com um sistema interligado de energia elétrica como tem hoje. “As linhas de transmissão duplicaram de 2001 a 2021. E nossa matriz elétrica em 2001, que era muito mais dependente de hidrelétricas, cerca de 85%, é diferente da de hoje, que depende cerca de 65% da geração hidráulica”, afirmou.

O ministro afirmou que o governo estudou diversas alternativas, incluindo a edição de uma Medida Provisória que institui a Câmara de Regras Operacionais Excepcionais para Usinas Hidrelétricas (CARE), que poderá prever, entre outras medidas, estabelecer um “programa de racionalização compulsória de energia elétrica”. O texto foi revelado pelo Estadão/Broadcast no último sábado, 12.

Esse comitê poderá também determinar mudanças imediatas na vazão das hidrelétricas sem aval de agentes, Estados, municípios e de outros órgãos, como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Águas (ANA).

“Numa situação como estamos vivendo, de crise hídrica, as decisões têm que ser tomadas tempestivamente, com uma boa governança e de forma organizada e coordenada. É isso que se estuda em uma eventual Medida Provisória”, disse.

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Ministro de Minas e Energia diz que conta de luz vai reduzir com privatização da Eletrobrás

Declaração de Bento Albuquerque, no entanto, vai na contramão do que dizem as associações do setor, que apontam para uma alta na conta de luz causada pelo excesso de 'jabutis' na proposta

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 22h37

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou na noite desta quarta-feira, 16, que a conta de luz vai reduzir com a privatização da Eletrobrás. A autorização para o processo está em análise no Congresso por meio de uma Medida Provisória. O texto já foi aprovado na Câmara e aguarda análise pelo Senado. A votação foi adiada para amanhã, 17, após o relator do texto na Casa, Marcos Rogério (DEM-RO) apresentar seu parecer.

“Dentro do que temos acompanhado, não vai ter conta para viúva ou Tesouro. Muito pelo contrário, acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Aquilo que está no relatório do senador Marcos Rogério, e o que foi aprovado na Câmara dos Deputados, já fizemos avaliação por parte do governo e não há custo extraordinário para o consumidor”, disse em entrevista à CNN.

É o contrário do que dizem associações de diversos setores que divulgaram nota conjunta logo após a apresentação do parecer de Rogério no Senado. Para 45 associações, os jabutis (como são chamados trechos estranhos à matéria original) adicionais incluídos pelo senador vão penalizar ainda mais os consumidores

"O relatório piora o que já era ruim e prevê novos custos aos consumidores brasileiros. Nosso entendimento segue pela rejeição dos velhos e dos novos jabutis", diz nota conjunta do movimento batizado de “União pela Energia, que reúne representantes da indústria, investidores no setor elétrico e produtores de petróleo e gás.

“Entendemos que ele [o relatório] agrava as adições feitas na Câmara, que ficaram conhecidas como jabutis. As definições invadem o espaço do planejamento setorial e ampliam o risco de investimentos no setor por sinalizar grande instabilidade para investimentos de capital intensivos e de longo prazo, assim como a governança da operação do setor elétrico”, diz a nota.

Para o ministro, porém, o processo em que a União deve diluir sua participação na estatal com foco em geração e transmissão de energia de 60% para algo em torno de 45% por meio da oferta de novas ações no mercado é de suma importância para o País e para enfrentamento dos efeitos da crise hidrológica que o País vive.

Questionado sobre os dispositivos que obrigam o governo a contratar térmicas a gás, mesmo em locais onde não há insumo e gasodutos, Albuquerque afirmou que os empreendimentos não vão onerar quem participar do processo de capitalização da empresa. Ele disse ainda que as usinas já estavam previstas no planejamento do setor para os próximos anos.

“Esses recursos vão ser despendidos dentro dos leilões de energia que nós temos. As termoelétricas já estavam previstas no Plano Decenal de energia, e foi aprovado recentemente pelo Congresso leilões de reserva de capacidade e é aí que as termoelétricas a gás vão entrar, com valores do último leilão que foi realizado em 2019, com preços corrigidos, muito mais baixos que estamos hoje pagando pela geração termelétrica”, afirmou.

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