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Ministro discute cortes com Volkswagen e metalúrgicos

Manoel Dias, do Trabalho, disse que vai atuar como intermediador entre patrão e empregado para encontrar saída após 800 demissões

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2015 | 17h43

Atualizado às 20:18 para correção de informações

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, ligou nesta terça-feira, 6, para executivos da Volkswagen para pedir esclarecimentos sobre as 800 demissões anunciadas na Unidade de Anchieta. Nesta terça-feira, funcionários da Volkswagen de São Bernardo, no ABC Paulista, decidiram em assembleia iniciar uma paralisação contra as demissões. 

O ministério informou que atuará como mediador entre patrão e empregado "para encontrar uma saída que evite a penalização do lado mais fraco, no caso, o trabalhador". Segundo Dias, há disposição dos dois lados para continuar as conversas. Ele afirmou que continuará trabalhado na mediação e considera ser possível um "bom termo".

A montadora confirmou as demissões e justificou a medida como essencial para "estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade". 

Antes da confirmação pela empresa, o sindicato havia informado que funcionários receberam uma carta orientando-os a procurar o setor de Recursos Humanos. Nas cartas enviadas aos funcionários, diz o sindicato, a montadora citava a necessidade de cortar 2.000 vagas. Na nota divulgada nesta terça, a Volks se refere às demissões como uma "primeira etapa de adequação de efetivo", dando a entender que mais desligamentos virão. A empresa, no entanto, não comenta essa possibilidade.

Segundo o sindicato, 13 mil pessoas trabalham na unidade. A Volks informou que emprega 20 mil pessoas em suas quatro fábricas no Brasil.

Na assembleia, os trabalhadores foram orientados a não procurar o RH, como pediu a empresa, e a participar da greve interna juntamente com os demais funcionários.

No início do ano passado, o Ministério do Trabalho se reuniu com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos que cobraram do governo medidas para reverter as demissões feitas pela montadora General Motors em sua fábrica na cidade. Ao todo, 1.053 postos de trabalho foram cortados pela empresa em 2013 com o fim da produção do modelo Classic, último automóvel leve a ser produzido no complexo industrial. 

Mercedes. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC também informou que 244 funcionários foram demitidos na Mercedes-Benz. Eles faziam parte de um grupo de pouco mais de 1,1 mil trabalhadores que estavam em lay-off desde o ano passado, mas não tiveram essa condição prorrogada, como aconteceu com o restante. Segundo o sindicato, a companhia alega baixo desempenho de alguns desses demitidos. Além disso, uma parte pequena teria aderido a um PDV.

Nesta segunda-feira, o sindicato realizou uma manifestação de apoio aos demitidos na porta da montadora. O vice-presidente da agremiação, Aroaldo Oliveira da Silva, destacou que a Mercedes estaria descumprindo o acordo sobre a prorrogação do lay off. "Aguardamos que a Mercedes retome o diálogo que conquistamos ao longo destes 30 anos da representação dos trabalhadores e que não haja retrocessos. O sindicato está empenhado em garantir a manutenção do acordo, em todas as circunstâncias", afirmou, conforme nota publicada no site do sindicato.

Os representantes dos trabalhadores dizem que a situação em outras montadoras está estabilizada, mas novos anúncios de demissões não estão descartados, já que muitas companhias estão voltando ao trabalho esta semana, após férias coletivas de fim de ano. Segundo dados de dezembro de 2014 divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de janeiro a novembro de 2014 as montadoras eliminaram 10,8 mil postos de trabalho e empregavam, até aquela data, 146,2 mil pessoas.

(Com informações de Álvaro Campos, da Agência Estado)

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