Ministro diz que safra cairá até 5%, mas garante abastecimento

Reinhold Stephanes prevê queda maior do que as estimativas da Conab na produção agrícola de 2008/09

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

08 de dezembro de 2008 | 13h15

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou nesta segunda-feira, 8, que a queda na produção agrícola na safra 2008/09 pode ser de 5%, mas ressaltou que o abastecimento do mercado interno está garantido. O número divulgado por Stephanes está acima do previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que indicou recuo de 2,5% na colheita, para 140,30 milhões de toneladas. Na avaliação da estatal, as baixas cotações das commodities, especialmente milho e algodão, e as restrições de crédito, sobretudo para o plantio de soja, provocaram as quedas.   Veja também: IBGE e Conab projetam redução de safra de grãos em 2009   Stephanes acrescentou o clima adverso para o desenvolvimento das lavouras à lista da Conab. "Se as perdas forem de 5%, estará ótimo", disse o ministro ao divulgar uma nova estimativa da Conab, a terceira para o ano-safra. Segundo a Conab, as quedas mais expressivas serão no algodão e no milho, de 7,4% e 20,8% respectivamente.   No caso do milho, Stephanes disse que a redução da produção será "coberta" pelo volume de estoques, estimado em cerca de 12 milhões de toneladas. Apesar do recuo estimado na produção, ele argumentou que o governo terá que continuar comprando milho para evitar que os preços caiam de forma expressiva, o que pode desestimular o plantio no ano seguinte. Ele disse que a preocupação do governo é em relação à safrinha, que será plantada no primeiro semestre do ano que vem.   Inflação   O ministro descartou a possibilidade de aumento dos índices de inflação como resultado da quebra de safra e da valorização do dólar frente ao real. De acordo com ele, os preços das commodities estão atrelados à moeda americana, e com a variação positiva, as cotações dos produtos agrícolas recuam no mercado internacional, o que influencia os preços internos. Stephanes também falou sobre as perspectivas para as exportações agrícolas do Brasil em meio ao anúncio de recessão em vários países. Ele lembrou que na semana passada a China anunciou que retomará as importações de carne de frango do Brasil. "O mundo continuará comendo", repetiu. Essas exportações, lembrou, alavancarão os mercados de soja e milho, ingredientes da ração animal.   Medidas   Ele afirmou ainda que já foram acertados os detalhes da linha de crédito de R$ 2 bilhões para capitalização das cooperativas por meio de empréstimos aos cooperados. "A linha terá R$ 2 bilhões ou mais", disse. O ministro disse que o anúncio oficial de criação da linha será feito nos próximos dias.   Além disso, uma avaliação das medidas adotadas pelo governo para blindar o setor agrícola dos efeitos da crise financeira internacional será tema de uma reunião marcada para quarta-feira (10), em Brasília. Segundo Stephanes, a idéia é reunir "especialistas e inteligências" para tentar traçar estratégias que permitam o apoio do governo para o período de comercialização da safra, a partir do início do ano que vem.   Ele reafirmou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é garantir os mecanismos de apoio à comercialização. "Ainda não sabemos se o governo precisará lançar outros mecanismos de apoio, mas se for preciso, faremos", disse. Ele fez, no entanto, um alerta aos produtores rurais. "Os instrumentos que foram utilizados até aqui serão suficientes para amenizar os impactos da crise, mas não para resolver todos os problemas", disse.   Para a safra 2009/10, Stephanes disse que provavelmente o governo terá que ofertar mais recursos a juro controlado, hoje em 6,75% ao ano, para compensar a ausência das tradings do financiamento. "O governo vai ter de adotar medidas mais claras e isso vai acontecer por meio dos bancos oficiais", disse. Ele lembrou ainda que o plantio da próxima safra depende do nível de preços dos fertilizantes. De acordo com ele, não é esperada uma "explosão" no preço do petróleo, cotação que influencia diretamente o preço dos nitrogenados.

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