André Dusek/Estadão
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Após fala de ministro, Temer diz que BC tem autonomia para definir a taxa de juros

Mais cedo, Padilha havia dito que uma queda da Selic agradava a Temer; presidente em exercício afirmou que 'a política monetária tem como prioridade combater a inflação e este é o objetivo principal de seu governo'

Rachel Gamarski e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2016 | 14h23
Atualizado 20 Julho 2016 | 17h29

BRASÍLIA -  Para evitar especulação após a fala do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, sobre a taxa de juros do País no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido e vai anunciar sua decisão, o presidente em exercício, Michel Temer, afirmou que o "BC tem plena autonomia para definir a taxa de juros".

Por meio de sua assessoria, o presidente em exercício afirmou que "a política monetária tem como prioridade combater a inflação e este é o objetivo principal de seu governo".

Mais cedo, Padilha afirmou que agrada o presidente uma queda na taxa de juros e destacou que o próprio mercado financeiro prevê que o BC reduzirá a taxa até o final do ano. "Isso agrada o presidente, ele vê com bons olhos, mas temos que respeitar a autonomia do Banco Central, se pudermos corresponder essa expectativa, será ótimo", disse.

Segundo o Relatório de Mercado Focus divulgado pelo BC na segunda-feira, 18, a expectativa do mercado é que a taxa Selic comece a cair em outubro deste ano, chegando ao final de 2016 em 13,25% ao ano. Quanto à reunião do Copom que se encerra hoje, a expectativa unânime é pela manutenção da taxa de juros, atualmente em 14,25% ao ano.

 

 

Contigenciamento. Na entrevista mais cedo, Padilha afirmou que o governo não trabalha com um contingenciamento que, segundo ele, é uma palavra desconhecida dentro da junta orçamentária, composta pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Casa Civil. "O que temos é que o governo trabalha nos seus limites mínimos, mas temos gorduras em determinadas áreas que pretendemos incrementar o trabalho", disse antes de criticar um corte no orçamento.

Como alternativa, o ministro defendeu a securitização da dívida pública, que já está sendo conversada tanto na área econômica, como com o Tribunal de Contas da União (TCU). "Securitização é uma das alternativas que poderá ou não ser adotada", disse.

Questionado sobre o montante que o governo poderá vender, Padilha afirmou que uma parcela de R$ 60 bilhões "é pouco". Segundo ele, há R$ 1,5 trilhão em dívida e R$ 60 bilhões são 6% do montante total. O ministro ressaltou ainda que o governo "esgotará todas as alternativas para que não haja contingenciamento".

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