Ministro do Equador admite calote de parte da dívida

O governo do Equador já deu início às suas consultas à Argentina sobre a renegociação da dívida externa. Os ministros de Economia Felisa Miceli (Argentina) e Ricardo Patiño (Equador) se reuniram no Rio para formalizar a assessoria que a equipe econômica de Néstor Kirchner dará à de Rafael Correa. Durante reunião com 28 representantes dos credores, o ministro do Equador confirmou que haverá um calote de uma parte da dívida. Patiño disse que seu país só pode pagar 40% do valor da dívida, segundo um relatório distribuído pelo Citibank aos seus clientes.O ministro de Economia, contudo, não confirmou essa cifra. A dívida do Equador equivale a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. De acordo com uma nota distribuída à imprensa, o governo de Correa "vai priorizar o investimento no setor social e no capital humano em detrimento do pagamento da dívida". A dívida equatoriana é de US$ 10,3 bilhões, o que representa menos de 10% do valor da dívida argentina renegociada em 2004.Após o default da dívida argentina, declarado em dezembro de 2001, o governo deu um calote de aproximadamente 70% deste valor. Em seu discurso de posse, na última segunda-feira, Correa também deixou claro sua intenção de seguir o exemplo da Argentina e reduzir o valor da dívida de seu país, a qual ele considera "ilegítima". Para tanto, ele pediu ao presidente Néstor Kirchner a assessoria dos técnicos que renegociaram a dívida. A ministra Miceli, segundo a assessoria de imprensa, ainda não definiu o cronograma de reuniões, nem os nomes dos técnicos que enviará ao Equador.Entre os analistas, há dúvidas sobre essa assessoria, já que, no Ministério de Economia, não restou nenhum dos homens que conduziram a renegociação, como o ex-ministro Roberto Lavagna, atual rival de Kirchner nas eleições presidenciais de outubro, ou o ex-secretário de Finanças, Guillermo Nielsen. Desde que assumiu o lugar de Lavagna, em novembro de 2005, Miceli foi aos poucos substituindo os assessores do ex-ministro por nomes de sua escolha.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.