Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Ministro do Trabalho se reúne com metalúrgicos

Ronaldo Nogueira discutirá demissões na Mercedes, que pretende desligar cerca de 2 mil funcionários

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2016 | 05h00

O ministro do Trabalho e Emprego, Ronaldo Nogueira, se reúne nesta sexta-feira, 19, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, para discutir as demissões na Mercedes-Benz. A empresa pretende cortar cerca de 2 mil funcionários do seu efetivo, hoje de 9,8 mil pessoas e começou a mandar avisos de dispensa por telegrama no início da semana, após colocar quase todos os funcionários em licença remunerada por tempo indeterminado.

Marques vai solicitar o apoio do Ministério na busca de soluções que possam ajudar a reverter os cortes.

Em nota, o sindicalista afirma que “o setor automotivo como um todo vive uma crise muito forte e com certeza há medidas que o governo pode adotar para interferir de forma positiva nesse cenário. A situação na Mercedes é emergencial e vamos solicitar apoio para as negociações com a fábrica”.

Ontem, trabalhadores realizaram protestos pelo terceiro dia seguido. Eles fizeram manifestação em frente à fábrica, depois saíram em passeata pela região, passando pela Rodovia Anchieta. Hoje haverá novo protesto nos portões da empresa.

Também ocorreu ontem uma segunda reunião entre dirigentes do sindicato e da empresa, que se estendeu pela noite. “Não tem havido espaço para negociar nada, pois partem da premissa de que o corte do excedente tem de ser efetivado, de que essa é, inclusive, a determinação da matriz na Alemanha”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato. “Vamos continuar conversando com a empresa para tentar convencê-los a ampliar o diálogo. Estamos abertos, mas, para nós, só existe negociação com a reversão das demissões e busca conjunta de alternativas”, afirma.

A Mercedes-Benz alega já ter utilizado várias ferramentas para manter empregos. Desde 2014, adotou medidas como lay-off (suspensão de contratos), férias coletivas, semana reduzida de trabalho e Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Diz ainda ter mais de 2,5 mil funcionários excedentes.

“Nesse momento, diante de um cenário que tem se agravado cada vez mais, não temos outra alternativa a não ser a redução do quadro de pessoal”, informa a empresa.

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