André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Ministro do Trabalho votará contra trabalho intermitente e fim do imposto sindical

Exonerado para garantir apoio à reforma trabalhista, Ronaldo Nogueira defende 'regra de transição' para a extinção da cobrança

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 20h53

BRASÍLIA - Exonerado temporariamente pelo presidente Michel Temer para participar da votação da reforma trabalhista na Câmara, o ministro do Trabalho, deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), afirmou na noite desta quarta-feira ao Broadcast, sistema de informações em tempo real da Agência Estado, que votará contra a regulamentação do trabalho intermitente e o fim da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical. Ele defendeu uma regra de transição para o fim do imposto.

AO VIVO: Acompanhe a votação da reforma trabalhista na Câmara

"O trabalho intermitente e o fim da contribuição sindical não fizeram parte daquele primeiro acordo com trabalhadores. Eu, deputado federal e pessoa humana, preciso honrar minha palavra. Não é o governo. Como deputado continuo contra", declarou Nogueira em entrevista, logo após discursar na tribuna da Câmara. "Preciso honrar minha palavra com movimento sindical. Nunca vou faltar minha palavra contigo quando eu der. Mesmo que me prejudique, vou honrar minha palavra". 

O ministro defendeu que é preciso "discutir melhor" o fim do imposto sindical. "Tem que ter uma transição. Não dá para ser uma transição abrupta. Tem que pensar em período. Determinado período perde 50%, depois mais um período zera. Até para o próprio movimento sindical se organizar", afirmou Nogueira, ressaltando que se colocou à disposição do governo para participar da votação da reforma. 

Entenda as principais mudanças propostas pela reforma trabalhsita

Como mostrou mais cedo o Broadcast, o presidente Michel Temer exonerou o ministro do Trabalho para reforçar o placar a favor da reforma. A medida foi tomada após o suplente do ministro na Câmara, deputado Assis Melo (PCdoB-RS), vestir-se de soldador e protestar no plenário da Câmara contra a proposta. A manifestação, que chegou a paralisar a sessão, irritou governistas, que articularam a exoneração de Nogueira com o Planalto. 

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