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Ministro dos Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia renuncia

O ministro de Hidrocarbonetos e Energia da Bolivia, Andrés Solíz Rada, renunciou nesta sexta-feira ao cargo, segundo comunicado do próprio Ministério. De acordo com o comunicado, ele alega razões pessoais.Rada diz no comunicado que havia pedido demissão no dia 17 de maio deste ano mas, a pedido do governo, decidiu permanecer no cargo por um "período adicional".No comunicado, ele enfatiza a importância do processo de nacionalização de gás na Bolívia, que "impulsionou de forma decisiva o processo de recuperação da dignidade e auto-estima de nosso povo". Solíz Rada representa uma ala do governo boliviano que mantém uma atitude hostil em relação à Petrobras e ao Brasil. Partiu dele a iniciativa de editar a Resolução 207, que na prática tomou as refinarias da Petrobras e seu fluxo de caixa, sem garantir ao País o pagamento de nenhuma indenização. No governo brasileiro, ninguém duvida que a medida teve o aval de Evo Morales.A decisão de não tomar os bens da Petrobrás partiu do vice-presidente do país, Álvaro García Linera, que vem costurando uma aproximação com o governo brasileiro. Embora no espectro político boliviano seja classificado à esquerda do presidente, Evo Morales, Linera é afinado com o setor produtivo.Quando o vice-presidente García Linera esteve em Brasília, em agosto, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, reclamou da dificuldade de diálogo com Solíz Rada. Linera prometeu que as conversas seriam retomadas . De fato, logo após seu retorno a La Paz, Solíz telefonou para Rondeau e propôs uma reunião para a semana de 7 de setembro. O ministro brasileiro pediu para marcar em outra data, que seria 15 de setembro. Mas, na véspera, foi baixada a Resolução 207, causando enorme surpresa. Rondeau cancelou sua viagem. A Resolução 207/06 do Ministério dos Hidrocarbonetos da Bolívia, publicada na terça-feira, determina que toda a receita com a venda de combustíveis das refinarias seja depositada numa conta da YPFB. A estatal boliviana, depois, deve transferir à Petrobras recursos para pagar os custos de operação e uma margem de lucro previamente estipulada.SurpresaA decisão anunciada pelo governo da Bolívia surpreendeu o governo brasileiro. Morales já havia pego o País desprevenido em maio, quando nacionalizou as reservas de gás de seu país e colocou tropas do exército na porta das refinarias. Agora, ao tomar as refinarias, Evo rompeu uma espécie de acordo pré-eleitoral que havia feito com Lula.Na quinta-feira à noite, depois de gestões feitas durante todo o dia por assessores com o vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera (Evo Morales estava em Cuba), Lula ganhou uma trégua e pôde anunciar que a medida está "congelada". Ou seja, ela deixará de ser aplicada de imediato e será discutida, depois das eleições, no âmbito das negociações que os dois países mantêm em torno do fornecimento de gás natural ao Brasil. Nesta sexta, Morales confirmou ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, o congelamento da decisão. A confirmação foi feita em rápido encontro que Morales e Amorim tiveram em Havana (Cuba), à margem da Cúpula dos Países Não-Alinhados. Segundo o Itamaraty, a conversa entre Amorim e Morales foi rápida e cordial. Antes do encontro, Amorim havia dito à imprensa que interessa ao Brasil "manter a estabilidade da Bolívia" e que é interesse também dos bolivianos "criar um clima favorável, para que as negociações ocorram de maneira racional."Matéria alterada às 20h09 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

15 de setembro de 2006 | 19h22

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