Ministro elogia coragem de Kirchner na troca da dívida argentina

O Ministro do Interior, Aníbal Fernández, declarou neste sábado que o presidente Néstor Kirchner teve grande "coragem" ao realizar a reestruturação da dívida pública com os credores privados. A operação de troca de títulos velhos, em estado de calote desde dezembro de 2001, pelos novos, reestruturados, concluiu ontem (sexta-feira) às 18:15 (horário de Buenos Aires e Brasília).Os analistas de mercado sustentam que a reestruturação contou com a adesão de mais de 70% dos credores. Os mais otimistas afirmavam que a participação poderia ter sido de 80%. O presidente da Caixa de Valores, Luis Corsiglia, declarou que a troca de títulos "foi muito boa" e que "está acima das expectativas que existiam no começo".Segundo Fernández, a negociação para a troca de títulos "foi a melhor reestruturação do mundo". Com esta troca de títulos, a dívida argentina com os credores privados foi reduzida de US$ 38,5 bilhões para US$ 41 bilhões. ProcessoO calote argentino, que durou 1.159 dias, foi anunciado no dia 23 de dezembro de 2001 por Adolfo Rodríguez Saá, presidente provisório do país. Em setembro de 2003 o ministro da Economia, Roberto Lavagna, anunciou a polêmica reestruturação da dívida, que implicaria em uma drástica redução do valor original da dívida. A reestruturação finalmente deslanchou no dia 14 de janeiro passado. Os novos títulos começarão a ser cotados oficialmente nos mercados no dia 1 de abril.Os economistas consideram que o fim do calote permitirá que a economia argentina possa ter um novo impulso. No entanto, antes disso, afirmam os analistas, o governo Kirchner terá que resolver uma série de tarefas pendentes, entre elas a rengociação dos contratos com as empresas privatizadas de serviços públicos, o fechamento de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), além de impedir o aumento da inflação.

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