Ministro galã de uma economia recessiva

Axel Kicillof é até cotado para a presidência

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2014 | 02h01

"A economia esfria, mas Kicillof esquenta as fãs" é o novo ditado que circula na capital argentina ironizando os índices que mostram o país cada vez mais mergulhado na recessão, enquanto o ministro da Economia, Axel Kicillof, torna-se uma celebridade entre as fileiras femininas do kirchnerismo. Especialmente entre as integrantes de La Cámpora, denominação da juventude kirchnerista, que nas redes sociais o classifica como "sexy". Várias fãs o denominam de "Kici-love" ou "Kiss and Love", brincando com o som de seu sobrenome de origem russa.

O comandante da Economia ostenta olhos azuis e costeletas dos anos 70, abomina o uso de gravatas e seu aspecto juvenil o faz parecer bem mais jovem. No mês que vem, fará 43 anos. Kicillof é casado com uma professora de literatura e tem dois filhos.

Nos eventos públicos, é o mais procurado por suas admiradoras, que agora também o veem como "defensor da pátria", por causa do confronto com os fundos hedge.

Economista de passado marxista, converso ao peronismo, é a estrela do governo argentino desde que assumiu o ministério em novembro passado. Kicillof tem crescente influência sobre a presidente Cristina Kirchner -além de contar com a amizade e o respaldo do desconfiado primogênito dos Kirchners, Máximo. "Ela está hipnotizada por ele", admitem parlamentares kirchneristas. "A presidente está hipnotizada por mim", afirmou o próprio Kicillof tempos atrás, segundo o biógrafo não autorizado do ministro, o jornalista Ezequiel Burgos, no livro O Crente.

Mas enquanto o perfil de celebridade do ministro cresce dia a dia, a economia argentina acelera o declínio. Desde o início do ano, a produção automotiva caiu 23,3%, o superávit comercial nos últimos 12 meses teve redução de US$ 1,46 bilhão, a atividade industrial registra queda de 3,7% desde janeiro, enquanto que as reservas do Banco Central diminuíram em US$ 1,74 bilhão.

Além disso, a Argentina está em estado de calote parcial com os credores nos Estados Unidos, as empresas estão demitindo e a tensão sindical cresce.

De quebra, o país, por seu protecionismo, está irritando os sócios do Mercosul. Apesar disso, setores do kirchnerismo especulam seu nome como eventual candidato à presidência da República, embora sua desaprovação popular seja de 54%, segundo pesquisa da consultoria González & Valladares.

Recentemente, Cristina, em discurso na Casa Rosada, definiu Kicillof como "pequenino, mas eficaz".

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